A Mente de Cristo III

Já sabemos que o verdadeiro cristão tem a mente de Cristo; ou seja, uma mentalidade oposta ao sistema deste mundo, cujo príncipe é o Diabo, inimigo de Cristo: “Já não lhes falarei muito, pois o príncipe deste mundo está vindo. Ele não tem nenhum direito sobre mim” (João 14:30). Um discípulo de Cristo tem sua cosmovisão por princípios, calcada na Palavra, e não na forma mundana de pensar. Sendo assim, sua fonte primária de inspiração são as Escrituras, jamais os pressupostos filosóficos e ideológicos de pensadores e teóricos ateus - “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite” (Salmos 1:1-2). Se um cristão é movido por valores baseados em princípios, como poderia apoiar pessoas ou participar de movimentos que defendem abertamente a desconstrução de valores cristãos? 

É totalmente incoerente, do ponto de vista cristão, dar crédito a alguém que não considera o aspecto espiritual do ser humano, mas o concebe como mero animal. Um verdadeiro cristão não se baseia em conceitos criados por mentes formatadas no ateísmo. A Bíblia diz: “Diz o tolo em seu coração: Deus não existe! Corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis; não há ninguém que faça o bem” (Salmos 53:1). Não faz sentido alguém temente a Deus dar ouvidos a um tolo. Tolos não fazem o bem, pelo contrário “... corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis”. É verdade que crentes em Deus também podem fazer coisas detestáveis, mas isso jamais seria argumento que justifique dar crédito a alguém declaradamente contrário a Deus, ou mesmo descrente. 

 

Como pensa um cristão

Existem apenas dois reinos e duas maneiras de pensar e raciocinar: o Reino de Deus e o reino do mundo. O de Deus é governado por princípios, o do mundo pelo relativismo. A proposta do evangelho é o arrependimento. A palavra original para “arrependimento” vem do grego, e é metanoia, que significa “mudança de mente”. A partir de então, começa um processo de aculturação na nova cultura, a do Reino. 

Paulo diz: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). A palavra “transformar”, no grego, é metamorfose, que significa, “mudar”, “transfigurar”, “mudar a própria forma”, “transformar-se de uma coisa em outra”. Ou seja, só é possível experimentar a vontade de Deus, se houver uma transformação, e só é possível ser transformado pela aquisição  de uma nova mentalidade, amoldada à cultura do Reino.   

O relativismo é antagônico ao evangelho, porque não admite o absoluto. A cosmovisão dos cristãos é por princípios, por isso são chamados de fundamentalistas. Este termo, no entanto, não define os verdadeiros cristãos, pois pressupõe uma militância, e militância é imposição, intolerância, é tomar à força, o que nada tem a ver com Cristo! Não somos fundamentalistas, somos pessoas de princípios, que pensam, agem, falam e se comportam sempre pela lente da palavra; porém, nunca de maneira impositiva, institucionalizada, mas com a prática do amor, que implica em firmeza (convicção) e ao mesmo tempo delicadeza (respeito). 

 

A solução está na base

Princípio: “A causa, a fonte ou origem de alguma coisa, aquilo do qual uma coisa procede” (Webster, 1828). Jesus comparou nossa vida a uma casa e disse que a estabilidade da sua estrutura é determinada pela base, fundamento - “... Quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha” (Mateus 7:24-25). Notamos que o alicerce é a obediência, e não simplesmente a audição, ou o estudo! Existem cristãos que se recusam a colocar a palavra como base, ou seja, obedecê-la, e depois que as paredes começam a rachar eles querem aplicar seus conceitos nos buracos das rachaduras, tentando consertar o estrago. Isso é insensatez, é só paliativo, é tentar a solução nas consequências e não nas causas - “... Quem ouve… e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia… E foi grande a sua queda (Mateus 7:26-27). Um problema estrutural só se resolve nas bases. É preciso uma metanoia (arrependimento) e uma metamorfose (transformação) a partir da base. 

Existe uma proposta de ensino crescente entre os cristãos no mundo todo chamada AEP - Abordagem de Educação por Princípios. Encontramos muitos princípios na Bíblia, mas essa proposta reúne “... Uma afinidade de pensamentos em torno de sete posições cardeais que fornecem uma base para o entendimento do todo... São conhecidos como Sete Princípios de Governo, pois nos oferecem a base moral para a vida e governo e podem também ser identificadas em qualquer área do conhecimento e situações comuns da vida” (Cartaxo, 2007). São estes: Soberania, Caráter, Mordomia, Autogoverno, Semeadura e Colheita, Individualidade e Aliança. Nos próximos capítulos desta série vamos abordar cada um deles enfatizando o contraste com a mentalidade mundana.


Assista o culto completo

https://www.youtube.com/watch?v=kJNMF2ubUH8

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