A Mente de Cristo IV

O Princípio da Soberania 

Sabemos que a palavra "princípio" é definida como "começo, origem, causa primeira, base, fundamento, aquilo do que algo procede". No contexto de ensino e educação, refere-se a um padrão de pensamento, um referencial básico. 

 

É um atributo de Deus

Um dos sete princípios de governo apresentados pela AEP é a soberania. O dicionário Houaiss define a palavra "soberano" como: "Que detêm o poder sem restrições; que ocupa o mais alto grau de seu gênero; quem exerce o poder supremo de uma monarquia; quem tem grande influência ou poder".

Deus, e somente Ele, é realmente soberano. Ao dizer que Deus é soberano estamos dizendo que Ele é absoluto sobre toda a sua criação, ou seja, Deus governa a tudo e a todos. No livro do profeta Daniel vemos um bom exemplo do reconhecimento da soberania de Deus feita pelo rei Nabucodonosor (Daniel 4:34-35).

A autora Elizabeth Youmans diz a respeito deste princípio: "Deus nos constituiu senhores de nós mesmos como um reflexo da Sua própria soberania. Podemos pensar, planejar, realizar e avaliar o que fizemos. Não fomos feitos marionetes, mas seres pensantes e potencialmente prontos para um relacionamento de interdependência. A chave deste princípio é nos movermos na direção de descobrir e alinhar os nossos planos aos planos perfeitos de Deus. O único soberano absoluto é Ele. Nossas decisões precisam da direção da Sua vontade através da decisão voluntária do nosso coração".

Portanto, a soberania de Deus não nega o livre arbítrio; pelo contrário, ele o reforça! A beleza do livre arbítrio está em ter sua base no princípio da soberania, pois nos leva a fazer escolhas alinhadas com a vontade soberana de Deus. 

 

O que diz o sistema deste mundo

O princípio da soberania contrasta com o ateísmo e o humanismo secular que se proliferam na sociedade moderna. Humanismo secular “é uma postura filosófica que abraça a razão humana, a ética, a justiça social e o naturalismo filosófico, rejeita especificamente dogmas religiosos, o sobrenatural, pseudociência ou superstições como a base da moralidade e de tomada de decisão” (Wikipédia). 

Contrasta também com o relativismo reinante em nossos dias. O sistema democrático, como também o marxismo cultural e todos os pressupostos filosóficos relativistas que regem a educação moderna, aos poucos, excluiu da mente da sociedade o senso de respeito, consideração e honra às autoridades. Vivemos dias de afronta declarada aos pais, líderes, professores, pastores, governos, etc., conforme profetizado pelo apóstolo Paulo em II Timóteo 3:1-4. 

O desencantamento generalizado da sociedade pós-moderna com as instituições tem produzido crescente anarquia. O falso conceito de que a voz do povo é a voz de Deus vem formatando a mente da sociedade por décadas. O homem tem em sua essência a semente da rebeldia; portanto, somente pessoas regeneradas é que podem exercer autoridade e se submeter às autoridades alinhados com a vontade de Deus. 

Nos tempos das monarquias o rei tinha autoridade absoluta; ele era dono de todas as terras e todos os bens. Nada era de ninguém, tudo era do rei. Havia, portanto, uma consciência de soberania bem mais aguçada. Nossos pais, por exemplo, nos davam ordens e obedecíamos sem perguntar por quê! Mas hoje em dia os pais são orientados a justificar, explicar e responder tudo… Essa relação doentia se reflete na relação com Deus. Muitos cristãos são imaturos e inconstantes porque não entendem que Deus é soberano. Revoltam-se como crianças mimadas quando Ele não faz o que querem. Nesse caso, o conceito de fé é distorcido; ela é vista como uma forma de manipular, exigir, reivindicar… Mas Deus é soberano, e não Se dobra aos gostos e desejos dos homens!

O apóstolo Paulo nos orienta sobre autoridade num contexto de monarquia (Romanos 13:1-7). Portanto, a revelação do princípio da autoridade, tanto no exercício dela quanto na submissão, está diretamente ligada ao entendimento do princípio da soberania. Quem se submete a Deus, consegue facilmente se submeter aos homens, às autoridades designadas por Deus na terra.

 

Jesus veio restaurar

Jesus nos deu o maior exemplo de submissão (Filipenses 2:3-8). A Igreja está dividida, e cada vez mais, por conta do afastamento desse princípio. Todos falam de unidade, todos têm o discurso e o conceito corretos, mas, quando se trata da prática, a pergunta velada é: "Quem vai mandar?". Jesus veio para resistir ao espírito da rebeldia e reconciliar todo ser humano com Deus. Ele estabeleceu a paz em nossos corações; Ele uniu as pessoas com o Seu Espírito de mansidão e humildade. 

A proposta do evangelho é perder a sua vida para ganhar a dEle. Quem perde para ganhar é porque entendeu o evangelho e assimilou o princípio da soberania. Nada é meu, tudo é dEle! Que princípio tremendo! Essa consciência nos protege da egolatria e nos faz viver de maneira alinhada com Deus e Sua palavra.

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