A mente de Cristo

Todos nós sabemos que uma polarização político partidária se consolidou no Brasil e no mundo nos últimos anos. O antagonismo entre pensamentos de esquerda e direita afloram como nunca, provocando discussões intermináveis. Consenso e unanimidade tornam-se completamente utópicos num ambiente em que as bases ideológicas e os pressupostos filosóficos divergem severamente e a intolerância, própria da alma humana, não admite ser contrariada. O relativismo vigente anula qualquer possibilidade de um acordo numa sociedade sectarista, e torna inútil qualquer discussão; sim, porque faz sentido debater qualquer assunto se não existem verdades, princípios e parâmetros? 

 

A verdadeira guerra. O cristão, no entanto, entende que não se trata de ideologia político-partidária e que essa polarização vai muito além das divergências entre esquerda e direita. Um filho de Deus não toma decisões, emite opinião ou faz juízo de valor com base em ideologias, porque ele tem a mente de Cristo - “Quem conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? Nós, porém, temos a mente de Cristo” (I Coríntios 2:16). Há uma guerra ideológica, sim, mas o cristão consegue enxergar a raiz do problema; sabe que é uma guerra espiritual, entre o sistema do mundo e a cultura do Reino, entre a luz e as trevas. O homem espiritual entende o que o homem natural não entende, porque agora ele conhece os dois lados - “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido…” (I Coríntios 2:14-15). 

“Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno” (I João 5:19) “... O Diabo [Maligno]… foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (João 8:44). Se a guerra é entre o bem e o mal, entre Deus e o sistema, entre a verdade e a mentira, como pode uma pessoa, que tem a mente de Cristo pensar, discutir, agir, tomar decisões e fazer escolhas de acordo com ideologias, sejam elas de esquerda ou direita? 

 

O que é cosmovisão? Cosmovisão é o “sistema pessoal de ideias e sentimentos acerca do Universo; concepção do mundo'' (Michaelis). Em outras palavras, cosmovisão é a maneira como cada pessoa vê o mundo. São como lentes através das quais as questões da vida são encaradas. Nossa herança cultural e religiosa, nosso contexto histórico, vida pregressa, crenças, experiências…, tudo isso tem influência na formação dessas lentes com as quais interpretamos a vida. Ela tem a ver com tudo o que pensamos acerca de Deus, criação, vida, eternidade, etc. Todos têm uma cosmovisão; qual é a sua?

Só existem duas cosmovisões, a cristã e a não-cristã (pagã). Quem ou o que tem feito a sua cabeça até agora? Se todo o conhecimento que você tem vem da escola e da mídia, ou dos filmes americanos, ou das redes sociais, ou das fontes históricas secundárias e não das fontes primárias, existe uma forte tendência de que sua cosmovisão seja mais pagã do que cristã, mesmo que esteja há décadas na igreja. Visão pagã e cristã são como água e óleo. Se é pagã, os pressupostos filosóficos humanistas, secularistas, relativistas…, serão sua referência e a base das suas escolhas. Se for cristã, sua base serão os princípios estabelecidos pelo Criador e Pai em Sua palavra. 

 

Princípios x Relativismo. Cosmovisão cristã, portanto, é pensar e agir por princípios. Princípio: “a fonte, a origem, primeira causa, uma raiz, uma fonte verdadeira; rudimento, semente” (Houaiss, 2009). Portanto, refere-se a um padrão de pensamento, um referencial básico, o que pressupõe a existência de absolutos. Absoluto: “que se apresenta como acabado, pleno; independente, soberano; que não admite condições ou limites; que não admite contestação, único, puro” (Houaiss, 2009).

O contrário de absoluto é o relativo. O relativismo é antagônico ao evangelho, porque não admite o absoluto. Deus é absoluto, e Suas verdades não mudam, assim como dois mais dois sempre serão quatro. Mas, o evangelho diz, nas palavras do próprio Cristo, que há uma só verdade - Ele mesmo (João 14:6). E, ao conhecermos essa verdade, seremos libertos da tirania do sistema deste mundo que nos faz escravos da vontade própria e destrói o real propósito da vida (João 8:32). O relativismo faz da verdade uma mentira e da mentira uma verdade, porquanto baseia-se na completa descrença em um Deus criador, que determinou princípios à criação. Então, como poderia um cristão dar ouvidos a pensadores, filósofos, e escritores com tais ideias? A lógica é: se não há Criador, não há princípios; a regra é não ter regras. É uma inversão de valores! 

O profeta Isaías já se referiu ao relativismo há centenas de anos antes de Cristo: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo! Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião” (Isaías 5:20-21). A exclamação “ai” está ligada à juízo. Ou seja, os que invertem os valores não ficarão sem sofrer trágicas consequências. Uma sociedade sem fundamentos (princípios) já tem sobre si o decreto do caos - “Quando os fundamentos estão sendo destruídos, que pode fazer o justo?” (Salmos 11:3). 


 

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