Carta à Igreja de Laodicéia

Laodicéia era a cidade mais rica da Frígia; portanto, seus cidadãos tinham alto poder aquisitivo. Era conhecida por sua indústria têxtil, pela produção do talco frígio, usado para tratar doenças dos olhos, e suas fontes minerais, que faziam dela um centro terapêutico. 

Jesus Se apresenta como o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, para contrastar com a infidelidade daquela igreja. Amém é um acróstico de palavras hebraicas que significam “o meu rei é fiel”. Ele também Se identifica como o soberano da criação de Deus, para contrastar com o relativismo espiritual e consequente descompromisso deles. Muitos estudiosos acreditam que Laodicéia é uma referência à igreja da atualidade!

 

O estado da igreja

Ela tornou-se indiferente, nem fria nem quente, mas morna (v 15). Refere-se ao cristão que fica em cima do muro, não tem compromisso com Deus. Água morna provoca náuseas - “Estou a ponto de vomitá-lo da minha boca” (v 16). O vômito acontece quando o estômago rejeita um determinado alimento. O corpo de Cristo é a Igreja. Cada cristão é como o alimento que, quando entra no corpo, passa a integrá-lo. Portanto, não é possível ser de Cristo e fazer parte do Seu corpo sem se deixar digerir por ele, sendo morno espiritualmente. O próprio Jesus rejeita os que não querem compromisso, que não estão dispostos a ser “diluídos”. Ser digerido é renunciar o individualismo, admitir o pertencimento, e estar pronto a “desaparecer” para viver vida de corpo!

A riqueza deles os fez autossuficientes - “Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada” (v 17). Quanto mais bens e talentos uma pessoa possui, maior será sua tendência à autossuficiência - o pecado original. O orgulhoso não precisa de Deus nem dos irmãos, não aceita conselho nem correção, porque “se acha”. Esta é a “fábrica” de pecados! O orgulho cega - “... Não reconhece, porém,...” (v 17). Arrogância gera ignorância. O pior cego não é o que não quer ver, mas o que pensa que vê, e nada vê! Por conta do “evangelho psicológico”, que prega uma autoestima divorciada da cruz, muitos se superestimam sem perceber a justiça própria! Paulo diz: “Pois, quando sou fraco é que sou forte” (II Coríntios 12:10). É nossa fraqueza que dá lugar à força de Deus!

 

A repreensão de Jesus

Precisamos fazer três aquisições:

Ouro. “Compre de mim ouro refinado no fogo, e você se tornará rico” (v 18). Trata-se da verdadeira riqueza, a eterna. Ouro refinado é puro, o mais valioso. Com que moeda compraremos esse ouro? Tudo! Tudo o que somos e temos - riquezas e recursos materiais, talentos, qualidades, orgulho e arrogância, enfim, toda a justiça própria. Jesus disse que o Reino de Deus é como um negociante que procura pérolas preciosas - “Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou” (Mateus 13:46). Não custa caro, só custa tudo. Por isso, todos podem comprar!  

Roupas brancas. “... Roupas brancas, e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez” (v 18). Branco representa pureza e santidade. A santidade nos protege da vergonha causada pela carnalidade. Quem é morno espiritualmente não produz fruto do Espírito, mas manifesta as obras da carne “... imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes…” (Gálatas 5:19-21).

Colírio. “Colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar” (v 18). Só Jesus tem o colírio  para curar a cegueira espiritual. Para comprá-lo é preciso admitir que a visão está comprometida. Isso é humildade. Quando Jesus curou o cego de nascença, Ele cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem. Mas depois disse: “‘Vá lavar-se no tanque de Siloé’ (que significa enviado)” -  João 9:6-7. O que curou o cego não foi a terra e a saliva, mas a atitude de ir até o “enviado” (quem prega e ensina) e lavar os olhos (a água é a palavra). 

 

O apelo de Jesus

Essas palavras duras são manifestações do amor de Jesus (v 19). Uma das provas de amor de um pai é a repreensão e a disciplina. Mas os filhos precisam dar uma resposta para que ela faça efeito: “... Seja diligente e arrependa-se” (v 19). Diligência é ação. Arrependimento é atitude de mudança. Ou reagimos, ou morremos!

Jesus faz um apelo veemente: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta…” (v 20). Cabe a nós abri-la. Quando Ele entra em nós, nós entramos nEle, em Seu corpo! E então ceamos, temos comunhão com Ele e uns com os outros. Passamos a ser “digeridos” para andarmos em verdadeira unidade. 

Os vencedores sentarão com Ele no Seu trono (v 21). Isso é autoridade. É a postura humilde que dá autoridade à igreja diante do mundo e das forças espirituais do mal. Essa identificação com Cristo nos faz um povo de testemunho, atrai a unção para destruir as forças opressoras das trevas, e abre as portas para a conquista. 

 


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