Conexões Amadurecem

“O mais importante é fazer do mais importante o mais importante” (Ben Wong). O mais importante são os relacionamentos! Para vivermos a proposta do Evangelho nada é mais importante do que criar conexões, vínculos com as pessoas. Igreja não é um aglomerado de gente num só lugar, mas um ambiente espiritual onde pessoas habitadas pelo Espírito Santo estão conectadas pelo vínculo do amor - “Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito” (Colossenses 3:14). O que a Igreja faz de mais importante não são os cultos, os estudos bíblicos, os eventos, os ministérios, nem mesmo as reuniões das células, mas é criar pontes, vínculos entre as pessoas. 

 

O requisito para a maturidade

Paulo escreve aos efésios: “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério…” (Efésios 4:11-12). A palavra grega para “preparar”, ou “aperfeiçoar” (Efésios 4:12) é katartismos (ato de tornar perfeito), que é substantivo da palavra katartidzo (adequar, reparar, emendar aquilo que está quebrado) usada em Mateus 4:21 - “Indo adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Eles estavam num barco com seu pai Zebedeu, preparando as suas redes. Jesus os chamou…”. Aperfeiçoar os santos, portanto, implica em ajudá-los a se conectarem uns aos outros por meio do discipulado e dos relacionamentos, a fim de edificarem-se uns aos outros para, à semelhança de uma rede, reter os peixes.  

São essas ligações que edificam o corpo, como Paulo afirma na sequência: “... Para que o corpo de Cristo seja edificado… E cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pela ondas, nem jogados de cá para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro…” (Efésios 4:13-14). Edificar é o mesmo que construir, portanto, trata-se de crescimento e maturidade espirituais. 

 

O que é maturidade?

Se ser maduro é ser pleno de Cristo, então isso tem pouco a ver com estudo bíblico e reuniões. De que adianta se aprofundar no estudo da Bíblia, mas ter relacionamentos superficiais? Pois é nos relacionamentos que aplicamos a palavra, e então somos moldados segundo Cristo! Muitos cristãos “estudiosos” têm a palavra apenas no intelecto, e não no espírito; tornam-se soberbos, por isso não aprofundam relacionamentos, não se permitem ser corrigidos ou mesmo ter que prestar contas a alguém. Paulo diz: “O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica” (I Coríntios 8:1). 

A Bíblia também refere-se à Igreja como uma família e um templo espiritual - “... Tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce... Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito” (Efésios 2:19-22). O elo do amor pode ser comparado à argamassa que une os tijolos de uma casa! Muitos são como tijolos soltos, empilhados, sem conexão um com o outro, por isso não edificam nem são edificados. Não existe cristão “avulso”. Se não está conectado, sendo cuidado por alguém e cuidando de outro, não faz parte da construção.  

 

Como amadurecemos?

Existe uma diferença entre as pedras que rolam pelo rio e as que ficam às margens. Estas são estáticas, por isso, pontudas, sem forma definida. Aquelas, as que rolam pelo rio, são arredondadas, lisas e polidas, porque o atrito com outras pedras ao longo dos anos permite que sejam trabalhadas. Existem pessoas que ficam sempre à margem, não aprofundam seus relacionamentos. Mas têm aquelas que se lançam no rio de Deus e permitem que sejam transformadas pelo atrito com os outros. Atritos são absolutamente essenciais nesse processo - “... É necessário que haja divergências entre vocês, para que sejam conhecidos quais dentre vocês são aprovados” (I Coríntios 11:19). 

Jesus mesmo declarou qual é a plenitude do Seu caráter: “Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração…” (Mateus 11:28). Essa é a nossa formação, nada mais! Paulo diz: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus...esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo,... humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte…” (Filipenses 2:5, 7, 8). Este é o mais alto nível de maturidade, e são os relacionamentos que nos permitem chegar lá! É o caráter aprovado que Deus recebe e não o que fazemos para Ele - “Portanto, se você... se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão...” (Mateus 5:23-24). Conflitos não resolvidos por causa do orgulho anulam a oferta. Tomar a iniciativa é dizer: “ainda que você não queira, eu quero relacionamento”. É bem mais difícil se humilhar diante de um orgulhoso! Mas é assim que somos lapidados! Quando abrimos mão das nossas razões, estamos dando mostras de aprendizado.

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