Mensagem II

Sabemos que a salvação vem pelo perdão dos pecados, e o perdão opera pelo arrependimento. Mas não pode haver arrependimento se não houver convencimento de pecados, obra exclusiva do Espírito Santo (João 16:8). O Espírito, por Sua vez, convence pela Palavra do evangelho, que, quando anunciada, gera fé para arrependimento - “... A fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10:17). No entanto, não é o conhecimento (no nível do intelecto) que promove arrependimento, e sim a revelação (no nível do espírito). Isso explica por que muitos ouvem a palavra e não mudam suas atitudes.

 

O evangelho é assimilado pelo espírito e não pelo intelecto

A Bíblia diz: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12). Ela atravessa a alma (intelecto) até chegar ao espírito. Então, o que impede a revelação? O que impede que essa espada atravesse a fronteira da alma e alcance o espírito do homem? A Bíblia responde, e a chama de justiça própria! A justiça própria é como um escudo que bloqueia a espada de dois gumes (a palavra). São argumentações, justificativas, explicações, desculpas, elaboradas pelo intelecto (alma) para fugir da verdade, porque a verdade dói! A Bíblia diz: “... Como, então, seremos salvos? Somos como o impuro - todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo…” (Isaías 64:5-6). Nossas justiças (ou justificativas) não podem nos absolver da culpa do pecado, jamais. Nenhum argumento humano tem qualquer valor para Deus. Só o sacrifício de Cristo é que pode nos justificar, e essa justificação entra em operação somente pela rendição e arrependimento - “Sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24). 

 

Escudos da justiça própria

A justiça própria está associada ao orgulho e à obstinação. A parte do nosso corpo mais difícil de lidar chama-se “cerviz”, a região posterior do pescoço, nuca! Quando Estevão fez o seu discurso no sinédrio ele disse: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (Atos 7:51 - ARC). “Dura cerviz” no hebraico significa, literalmente, “obstinado” ou “teimoso”. Quando a parte posterior do pescoço é dura, a cabeça não se curva, o nariz fica empinado, ou seja, o coração não se dobra diante das Escrituras!  A justiça própria diz:

Não é bem assim. A pessoa que se justifica tenta fazer a Bíblia dizer o que ela não diz, distorce o sentido bíblico para fundamentar suas próprias opiniões. Tira o texto do seu contexto para criar um pretexto, interpreta-o ao seu bel prazer. Passa por cima daquilo que não lhe interessa ou traz desconforto. Sempre que se depara com abordagens enfáticas acerca da palavra, diz que não é preciso ser tão radical! 

A culpa não é minha. O justo em si mesmo tenta se justificar colocando a culpa em outros - “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi… Respondeu a mulher: ‘A serpente me enganou, e eu comi’” (Gênesis 3:12,13). Tal pessoa pensa que um erro justifica o outro. Sentem-se vítimas, então pensam que podem se justificar em seu vitimismo. 

Todo mundo peca. Ele diz: “Quem pode me julgar?”; “Ninguém é de ferro!”. Tem uma visão espiritual distorcida; pensa que a graça tolera o pecado e que pode ser justificado sem arrependimento. Mas a Bíblia diz: “Todo aquele que nele permanece não está no pecado. Todo aquele que está no pecado não o viu nem o conheceu” (I João 3:6). 

Você não está no meu lugar. O argumento é: “É fácil falar, você não está no meu lugar”. São pessoas melindrosas que se justificam no seu sofrimento. Elas dizem: “Deus me entende”. Os pecados ganharam novos nomes: inconstância virou bipolaridade; ira virou surto psicótico; roubo virou cleptomania; rebeldia virou transtorno opositor... Então seguem na prática do pecado, sem arrependimento.  

A carne é fraca. Sim, por isso Jesus disse: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação…” (Mateus 26:41). Paulo diz que as suas fraquezas eram para que não se orgulhasse e dependesse mais de Deus, jamais para levá-lo ao pecado (II Co 12:7-10).  

Deus é amor. O justo em si mesmo argumenta com um conceito distorcido do amor de Deus. Ele diz: “Deus me aceita do jeito que eu sou”. Errado! Se fosse assim, não precisaríamos ser justificados e transformados. Deus é Pai, mas também é Senhor, e justo juiz. Ele odeia o pecado, por isso veio para nos libertar dele!   

Todas essas justificativas e muitas outras são como escudos que bloqueiam e impedem que a espada (palavra) chegue ao espírito para promover quebrantamento e arrependimento. Mas quando esses escudos são removidos, a palavra penetra no espírito e, pelo arrependimento, gera uma nova natureza, que, por sua vez, inicia um processo de renovação da mente (intelecto) nos moldes da cultura do Reino. Isso é santificação! Santificação é um processo de dentro para fora, que só acontece quando não há argumentos de justiça própria!

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