O Princípio do Autogoverno

Este princípio é inspirado em um dos atributos de Deus, que é a Sua onipotência. Ele tem todo poder, mas internamente Se governa. Deus age por meio de leis que Ele mesmo estabeleceu. Ao nos criar à Sua imagem e semelhança, também nos deu a capacidade de nos autogovernar; ou seja, todo ser humano tem a capacidade de se conter, restringir internamente, seja por um pacto, uma devoção ou uma restrição externa.

No entanto, o autogoverno (autocontrole ou autorregulação) apenas como reflexo da imagem e semelhança de Deus não é foco aqui. A proposta do Criador é o autogoverno à partir do governo dEle em nós. É o princípio do autogoverno cristão, que começa com Deus reinando internamente no coração. A verdadeira liberdade parte do governo interno, de dentro para fora, e não de fora para dentro. Trata-se, portanto, de uma ação do Espírito Santo promovendo força interior a fim de nos capacitar a submeter a vontade da carne a uma total dependência de Deus. 

Jesus nos ensinou a orar assim: “... Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:9). E em outro momento Ele disse: “O Reino de Deus não vem de modo visível…; porque o Reino de Deus está dentro de vocês” (Lucas 17:21). O governo é primeiro individual, e aí se estende à casa, igreja, comunidade e nação - “Ninguém saberá governar um reino a menos que saiba administrar uma província; nem tampouco pode governar uma província aquele que não ordenar uma cidade; nem pode ordenar uma cidade aquele que não sabe regulamentar uma vila; nem ainda pode o homem governar bem uma família se não governa a si próprio; outrossim, nem mesmo pode governar a si próprio a menos que da sua razão seja senhor e faça da vontade e apetites seus vassalos; nem pode a razão igualmente reinar a menos que seja ela mesma governada por Deus e totalmente sujeita a Ele” (Hugo Grotius, pastor puritano, 1665). 

 

O que diz o sistema deste mundo

O pensamento mundano é dominado pelas filosofias humanistas, que colocam o homem como o centro do Universo. Nas escolas, por exemplo, a teoria da evolução é ensinada como verdade, e assim, a mente das crianças vai se amoldando à ideia da inexistência de um Deus, como também de parâmetros (princípios) por Ele estabelecidos. E, então, conceitos como pecado, culpa, justiça, juízo..., vão se degenerando. 

Se não há Deus e nem leis divinas, o homem passa a estabelecer suas próprias leis. E, como ele é egoísta por natureza, vai legislar em causa própria, dizendo: “Eu faço as minhas próprias leis, de acordo com aquilo que eu considero bom e aceitável para mim, porque eu quero ser feliz e me dar bem”.

Esta é a razão pela qual o espírito da anarquia (que é o Anticristo) está dominando as culturas. É o espírito do caos! Cada um faz suas próprias leis, de acordo com suas opiniões. Neste caso, a regra é “não se reprima”, como já cantava o grupo Menudos, em 1984 - “Não segure muito teus instintos/ Porque isso não é natural/… Vá em frente, entra numa boa/… Não controle, não domine, não modere/ Tudo isso faz muito mal…”.

A herança judaico-cristã, que tem a palavra como base, fundamentou as leis da cultura ocidental que vigoram até hoje. Mas estes valores estão sendo questionados e duramente criticados, principalmente pelos que ditam as regras nas áreas da educação e da cultura. O objetivo é a desconstrução dos paradigmas de pensamento judaico-cristãos. Tudo hoje é questionado e “problematizado”!

A sociedade pós-moderna é caracterizada pela forte influência do hedonismo. Tal comportamento é resultado da forte influência humanista e anti cristã, que coloca o homem no centro. O hedonismo vem do grego hedonê, “prazer”, “vontade”. É uma doutrina filosófica-moral que afirma que o prazer é o bem supremo da vida humana. Essa onda de hedonismo crescente, estimulada pela ausência de parâmetros morais baseados num Deus Criador, é que move as pessoas para dizerem: “Eu tenho o direito de ser feliz”. Tudo é justificado por essa ideia: as traições, as deslealdades, as quebras de alianças, os divórcios, a imoralidade, os vícios, a violência, as trapaças, os golpes, e assim por diante.

 

O que diz a Bíblia

Autogoverno cristão é muito mais do que inteligência emocional. Ele vem do entendimento de que “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9:10). O autogoverno cristão faz das leis de Deus o guia para direcionar o coração. Em Cristo Jesus somos recriados e recebemos um novo coração (Ezequiel 36:26, Jeremias 31:33).

Quando Caim se irou contra seu irmão, Abel, Deus lhe disse: “... Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo” (Gn 4:6-7). Caim, como um cavalo selvagem, não se dominou (Sl 32:9)

Somente pelo poder do Espírito Santo é que podemos nos alinhar à vontade de Deus e fazer as escolhas certas. Quanto mais consciência e confiança na fidelidade de Deus para com Sua palavra, maior será nossa capacidade de autogoverno. O apóstolo Paulo escreve: “Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros” (I Coríntios 10:23-24); “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine” (I Coríntios 6:12).  

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