Um Coração Convertido aos Filhos

“Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais…” (Malaquias 4:5-6). Voltar o coração aos filhos é conquistar o coração deles. Muitos pais querem exercer sua liderança, sem conquistá-la, com rigor e autoritarismo, sem considerar ou compreender o filho. É grande o número de filhos que perdeu a referência de autoridade, pois o pai se tornou um autoritário, ou um ausente! 

Se, primeiramente, o pai volta o seu coração ao do filho, este volta o seu coração ao do pai. A atitude contrária faz com que o filho se perca. Quando um pai perde seu filho, talvez seja porque o filho já o perdeu há muito tempo! Voltar o coração ao filho é:

1) Estar presente. O filho não quer presente, ele quer presença. É provado pela ciência que os registros emocionais de um filho nunca se referem a coisas materiais, mas ao afeto, às demonstrações de amor, carinho, atenção, aceitação. Hoje os pais andam muito ocupados, sem tempo de qualidade com os filhos! A justificativa é o trabalho, para proporcionar conforto à família. Mas o verdadeiro pai é aquele que está disposto a abrir mão de bens materiais e conforto, se preciso for, para dar conforto à alma do filho. Ele perde coisas para ganhar seu filho, pois considera-o como o bem mais precioso. 

2) Não irritar os filhos - “Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem” (Colossenses 3:21). O que é irritar? É não dar o que ele quer? É não pegar no pé dele? Nada disso. Pelo contrário, irritar é privar o filho do que ele precisa: amor, atenção, suprimento, correção, ensino, educação, etc. Um relacionamento superficial e sem afeto provoca a ira dos filhos, pois gera uma atmosfera propensa à discussões e brigas.  

Há também pais que cobram demasiadamente, são perfeccionistas, sobrecarregam seus filhos de atividades e exigem os melhores resultados em tudo. Isso faz com que o filho desanime, pois a ênfase do pai está sempre no que falta e não naquilo que o filho já alcançou. Pais que cobram perfeição vão perder o coração dos filhos, que, na busca por aceitação, vão procurar “pessoas que tenham defeitos”, correndo sérios riscos!

3) Ensinar o filho - “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar” (Deuteronômio 6:6-7) -  Outra palavra para “persistência” é “inculcar”, que na palavra original hebraica tem o sentido de gravar numa pedra com uma ferramenta pontiaguda. Da mesma forma um pai deve gravar as palavras no coração de seus filhos. É preciso intencionalidade, tempo e perseverança. Trata-se de um estilo de vida! 

Gravar as palavras no coração é ensinar o caráter de Deus. É pura ilusão pensar que o filho vai aprender tudo na primeira lição! Ensino é uma prática constante, como um trabalho artesanal, intenso. As palavras são gravadas no coração pelo respaldo do exemplo, no andar do dia a dia, na vivência dos princípios e valores do Reino.

4) Instruir - “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Provérbios 22:6). Instruir é o mesmo que educar. Educar tem a ver com a formação do indivíduo como um todo; num sentido mais amplo é transferir os valores de uma cultura. Que cultura é essa? A do Reino de Deus!

Os valores do Reino são transferidos pela vivência. Um pai cristão cria seu filho com uma cosmovisão bíblica; ele o faz pensar e raciocinar por princípios. É isso que dará ao filho a capacidade de tomar decisões certas na vida e de fazer escolhas baseadas em valores. A cosmovisão de um filho educado por princípios o faz viver a contracultura deste mundo corrompido e anti Deus! 

5) Corrigir - “Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo” (Provérbios 13:24); “A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Provérbios 29:15). O pai que ama, corrige. Corrigir é fazer voltar ao caminho certo. Disciplinar é ensinar a disciplina, é estabelecer princípios, limites; ou seja, mostrar o que é certo fazer e o que não é certo. 

O pai que corrige é porque admite a existência de um Deus, e que Seus mandamentos são absolutos. Ele não se deixa dominar pelo relativismo dominante da pós-modernidade. O filho sem disciplina, entregue a si mesmo (sem direção, sem princípios), envergonha a sua mãe, e o seu pai; quando enfrenta conflitos na vida e suas vontades não são correspondidas, não sabe lidar com isso e se revolta, pois não foi preparado; pensa que o mundo gira ao redor dele!  

6) Ser o orgulho do filho - “Os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos, e os pais são o orgulho dos seus filhos” (Provérbios 17:6). O pai segundo Deus é o orgulho do filho. Não o “pai herói”, que dá tudo, que vive quebrando seu galho; e sim o pai que ensina, instrui, corrige. Então, o filho dirá: “sou o que sou porque meu pai me influenciou a ter o caráter que tenho”. Todo pai que sabe amar, equilibrando carinho e firmeza vai gerar um filho grato e orgulhoso de seu pai. 

A palavra original no versículo traduzida por “orgulho” é “ornamento”, “formosura”, “enfeite”, “beleza”. Então, o pai se torna o enfeite, o adorno do filho. É como se a presença do pai estivesse ornando sua vida o tempo todo. O ensino e o exemplo do pai ficam gravados no caráter e nas ações do filho durante toda a vida. Você, pai, é o “enfeite” de seu filho. Ele leva a sua glória, a sua formosura em seu viver? 


Assista o culto completo

https://www.youtube.com/watch?v=WncyZawumsY

Baixe a
apresentação