Perdão: se você não dá, você não recebe

Publicado em 30/05/2022

PERDÃO - SE VOCÊ NÃO DÁ, VOCÊ NÃO RECEBE

(Marcos 11:24-26)

 

Vivemos em uma cultura na qual nem sempre se fala sério quando se diz alguma coisa. Isso já começa em casa, quando o pai ou mãe não cumprem o que dizem aos filhos. A criança aprende, então, a pensar que nem tudo que as figuras de autoridade dizem é verdade. Quando se torna adulta, já passou a aceitar isso como normal.

Mas, quando Jesus fala, Ele quer que O levemos a sério. Ele anda em um nível de verdade que transcende a nossa cultura e a nossa sociedade. Quando Ele diz que se não perdoarmos o Pai também não perdoa as nossas ofensas, Ele fala sério, e fez essas advertências várias vezes (Mateus 6:14-15; Lucas 6:37; Mateus 6:12). 

Pelo fato de a falta de perdão ser tão desenfreada em nossas igrejas, não queremos levar estas palavras de Jesus tão a sério; mas, o modo como perdoamos, libertamos e restauramos os outros é o modo como seremos perdoados. 

 

O servo que não queria perdoar

Em Mateus 18, Jesus derrama mais luz sobre o cativeiro da falta de perdão e da ofensa. Pedro perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?” (Mateus 18:21). Ele achou que estava sendo generoso e queria impressionar o Mestre. Então Jesus contou uma parábola para enfatizar o Seu ponto de vista (Mateus 18:23-35). A “enorme quantidade de prata” que aquele homem devia era 10 mil talentos (no original grego). O talento era uma unidade de medida usada na época. Um talento equivalia a aproximadamente 35 quilos. O preço atual do grama de prata é 3,41 reais. Assim sendo, o quilo da prata é 3.410 reais. Se 10 mil talentos são 350 mil quilos, então o valor atual da dívida daquele homem seria quase 1,2 bilhão de reais. Jesus estava enfatizando aqui que aquele servo tinha uma dívida que jamais conseguiria pagar, por isso o rei perdoou-lhe a dívida.

Quando uma ofensa acontece, cria-se uma dívida, então o perdão é o cancelamento de uma dívida. O rei representa Deus Pai que perdoou a esse servo uma dívida que lhe era impossível pagar. Jesus fez isso por nós. A escrita da nossa dívida já foi cancelada (Colossenses 2:13-14) A dívida da qual fomos perdoados é impagável. Deus nos deu a salvação como um presente. Aquele servo perdoado representa cada um de nós.

No entanto, o servo que havia sido perdoado não quis perdoar um dos seus conservos que lhe devia 100 denários. Um dendário era o salário de um dia de um trabalhador. Considerando o valor atual do salário mínimo, em valores atuais seria pouco mais de 4 mil reais. O servo que havia sido perdoado de uma dívida impagável não quis perdoar a dívida irrisória comparada com a que ele tinha. As ofensas que guardamos uns contra os outros, se comparadas às nossas ofensas contra Deus, são como 4 mil comparados a 1,2 bilhão. Uma pessoa que não consegue perdoar esqueceu-se da grande dívida da qual foi perdoada. Se você tem dificuldade em perdoar, pense na realidade do inferno e no amor de Deus que o salvou desse lugar.

 

Lições para os que creem

Jesus não estava Se referindo aos incrédulos nesta parábola (Mateus 18:31-35). O homem teve uma grande dívida perdoada (a salvação) era chamado de servo, que não queria perdoar era um conservo. Trata-se, portanto, do crente que se recusa a perdoar.

  1. O servo que não quer perdoar é torturado. Os torturadores são os espíritos demoníacos. Deus dá permissão aos “torturadores” para infligir dor e agonia de corpo e mente, mesmo se formos crentes! Os médicos e cientistas ligam a falta de perdão e a amargura a certas enfermidades como artrite e câncer. Muitos casos de doença mental estão ligados à falta de perdão e amargura.
  2. O servo que não quis perdoar teve de pagar a dívida original. Foi exigido que ele fizesse o que era impossível. É como se nos fosse exigido que pagássemos a dívida que Jesus pagou no calvário. Perderíamos a nossa salvação! (II Pedro 2:20-21). Pedro estava falando de pessoas que haviam escapado do pecado (contaminações do mundo) através da salvação em Jesus Cristo, entretanto foram novamente capturadas pelo pecado. 

Muitos irão a Jesus se justificando com palavras, dizendo que O conhecem (Mateus 7:22-23), mas Jesus dirá que não os conhece. Deus só conhece aqueles que O amam (I Coríntios 8:3). Quem diz que ama a Deus, mas não ama o irmão que o magoou, está enganado (I João 4:20). A pessoa enganada acredita de todo o coração que está certa.

  1. Deus Pai fará isto a qualquer crente que se recuse a perdoar do fundo do seu coração. (v 35). Jesus foi muito específico, a fim de garantir que compreendêssemos esta parábola dando-nos a interpretação dela. Ele não queria deixar nenhuma dúvida acerca da gravidade do julgamento que aguarda aqueles que se recusam a perdoar.

Quando Ele diz alguma coisa, Ele realmente fala sério. Isto não é visto com frequência na igreja. Em vez disso, damos desculpas para abrigarmos a falta de perdão. A falta de perdão é considerada um pecado menor do que o roubo, a embriaguez, o homicídio, etc. Mas aqueles que o praticam não herdarão o Reino de Deus juntamente com os que praticam outros pecados. Esta é uma mensagem de misericórdia e advertência, e não de julgamento duro. É melhor se arrepender e perdoar do que ouvir o Mestre dizer: “Saia”, quando já não puder mais se arrepender.

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