Para que não os escandalizemos

Publicado em 01/06/2022

PARA QUE NÃO OS ESCANDALIZEMOS

(Romanos 14:13)

 

Vimos anteriormente que Jesus ofendia muitas pessoas enquanto viajava e ministrava. No entanto, existe um outro lado a ser considerado. Quando Ele e Seus discípulos chegaram à Cafarnaum certa vez, Simão Pedro foi abordado pelo oficial responsável pela coleta dos impostos do templo: “... O mestre de vocês não paga o imposto do templo?” (Mateus 17:24). Pedro respondeu: “Sim, paga…” (v 25), e depois voltou para discutir o assunto com Jesus (vs 25-27).

Jesus estava dizendo a Pedro que os filhos são livres porque são os que se beneficiam, vivem nos palácios mantidos pelos impostos. Quem era o rei ou o proprietário do templo? Deus Pai! Com base nisso, Jesus estava perguntando a Pedro: “Se eu sou o Filho daquele que é proprietário do templo, então não estou isento de pagar o imposto do templo?”. Sim, Ele estaria isento, mas disse: “... Para não escandalizá-los…”.

Para não ofender ninguém, Jesus disse: “Vamos pagar”. Este é o mesmo Jesus que ofendia as pessoas e não Se desculpava!  Parece uma incoerência, mas a explicação está nos versículos seguintes (Mateus 18:1-4). A expressão-chave aqui é “aquele que se faz humilde” (v 4). Em outra ocasião Ele diz: “Quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo… Como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20:26-28). Ele era Filho, era livre, não devia nada a ninguém, mas decidiu usar a Sua liberdade para servir!

 

Livre para servir

A Bíblia diz que devemos ter a mesma atitude de Jesus. Não devemos usar a nossa liberdade ou nossos privilégios como filhos do Deus vivo para servir a nós mesmos (Gálatas 5:13). A liberdade deve ser usada para servir aos outros. Muitos cristãos servem com uma atitude de ressentimento. Eles dão com amargura e reclamam quando pagam impostos. Não entendem que são livres para servir. Assim, continuam lutando em benefício próprio em vez de lutarem em benefício de outros.

Paulo escreve aos romanos e aos coríntios sobre essa atitude. A liberdade daqueles crentes foi desafiada pela comida (Romanos 14:1-2). Jesus havia declarado que não é o que entra pela boca que contamina, mas o que sai, ou seja, todos os alimentos são limpos para o crente (Marcos 7:18-19). No entanto, nos tempos de Paulo alguns crentes que eram fracos na fé não comiam carne por medo de estar comendo alimentos que haviam sido sacrificados a ídolos. Essas pessoas não conseguiam comer carne com a consciência tranquila (I Coríntios 8:4, 6-7). Os cristãos mais fortes, porém, estavam comendo carne de origem duvidosa porque sabiam que o ídolo não era nada e não tinham qualquer problema de consciência em comer. Mas parece que estes estavam mais preocupados em exercer seus direitos como cristãos do que em ofender seus irmãos. Sem perceber, colocaram uma pedra de tropeço no caminho dos seus irmãos mais fracos.

Esta não é a atitude de um servo. Paulo faz uma advertência aos crentes mais fortes dizendo que não estavam usando a sua liberdade para servir, mas como uma plataforma para defender os seus direitos (Romanos 14:13, 17). Ele estava dizendo: “vamos nos lembrar do que se trata realmente o Reino - justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. O conhecimento sem amor destrói.

Nossa liberdade nunca pode ser uma licença para exigirmos nossos direitos e ofender outros (I Coríntios 8:11-12). Usamos nossa liberdade para pecar quando ferimos aqueles que têm uma consciência mais fraca, fazendo com que eles se ofendam e tropecem.

 

Abrindo mão dos nossos direitos

Depois de estabelecer a Sua liberdade em relação ao templo, Jesus falou sobre a importância da humildade (Mateus 18:6-10). Devemos nos livrar de qualquer coisa que nos faça pecar, mesmo que seja um dos privilégios dados pela graça da nova aliança. Se alguma coisa fizer com que o seu irmão mais fraco peque, corte-o pela raiz.

Quando Jesus ofendeu algumas pessoas foi por obedecer ao Pai e servir aos outros. A ofensa praticada por Ele não ocorreu porque estava exigindo Seus direitos. Os fariseus se ofenderam quando Ele curou no sábado; Seus discípulos se ofenderam com a verdade que Seu Pai mandou pregar; Maria e Marta se ofenderam quando Ele atrasou Seu retorno para curar Lázaro. Mas Jesus nunca ofendeu pessoas por servir a Si mesmo. Paulo diz que a nossa liberdade nos foi dada para servir e para abrirmos mão de nossas vidas (I Coríntios 8:9).

 

O teste da edificação

Nosso alvo deve ser edificar e não destruir (Romanos 14:19). O que fazemos pode até ser permissível de  acordo com a Escritura, mas a pergunta que devemos fazer é: “Isso visa a edificação dos outros ou os meus próprios interesses?” (I Coríntios 10:23-24, 31-33). Permita que o Espírito Santo ilumine cada área de sua vida e lhe mostre quaisquer motivações ou interesses ocultos que sejam para seu proveito e não para o proveito de outros. Use a sua liberdade em Cristo para libertar outros, e não para garantir os seus direitos. Aceite o desafio de viver como servo de todos!

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