Seja proposital | 3. em conectar

O evangelho gerou em nós uma consciência que antes não tínhamos. Se agora entendemos que temos um propósito de vida, somos propositais em tudo que contribui para que esse propósito se concretize. Como cristãos, sabemos que fomos recriados em Cristo para voltar ao propósito original, que é encher a terra da glória de Deus (Habacuque 2:14). E como se faz isso? Enchendo a terra de pessoas cheias da glória dEle, que está em nós!

A estratégia e a arma

Portanto, se a nossa razão de existência consiste nesse propósito, tem uma batalha para se chegar lá. Tudo neste mundo, como também nossa natureza pecaminosa, conspira e se opõe frontalmente ao projeto do Reino de Deus, que é encher a terra da Sua glória. Mas qual é a estratégia nesta batalha espiritual? É criar relacionamentos, conexões, amizades, contatos, proximidade, vínculos… A Igreja moderna tem à sua disposição uma série de artifícios para anunciar o evangelho (púlpito, televisão, internet, redes sociais…), mas Jesus nos enviou não apenas para pregar, e sim fazer discípulos (cheios da glória dEle), e isso só é possível de um a um, vida na vida!

Trata-se, portanto, de uma batalha espiritual. Uma luta contra a nossa natureza egoísta, num tempo em que se valoriza exacerbadamente o direito à privacidade, somando-se ainda a uma cultura materialista em que as pessoas estão super ocupadas com o trabalho e os afazeres pessoais. Quem tem tempo para quem? Ninguém! Por isso, se a estratégia nessa guerra é criar conexões, a intencionalidade é a arma.

 

O tempo não nos pertence

Governar o tempo está ligado ao princípio da administração e do autogoverno. Todo cristão não vive mais para si mesmo (2 Coríntios 5:15). Por isso o tempo não lhe pertence, mas Àquele que lhe resgatou a vida. Essa consciência muda nosso estilo de vida, e nos leva a sermos propositais naquilo que somos destinados a fazer, o que implica abrir mão de coisas que faço para mim, a fim de “fazer tempo” para os outros.

Muitos cristãos acham que estão cumprindo o seu papel ao convidarem pessoas para irem aos cultos, eventos ou reuniões da célula. A intenção é boa, mas pode ser pura religiosidade. Congregar é uma consequência e não o foco. O foco é a amizade, o relacionamento, o vínculo, a conexão com a pessoa. “O mais importante é fazer do mais importante o mais importante” (Ben Yong).

A Bíblia nos ensina a remir o tempo: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Efésios 5:15-16 - ACF). Remir é o mesmo que redimir, que significa “resgatar do poder de outro pelo pagamento de um preço, pagar um valor para libertar alguém do cativeiro” (Strong). Resgatar do poder de quem? Da carne, do egoísmo e do mundo! Ter poder sobre o tempo, e usá-lo para o que é, de fato, importante é um dos sinais de sabedoria.

 

Crie novos relacionamentos

Certa vez, Jesus ia passando por Jericó e Se deparou com um homem em cima de uma árvore esperando que Ele passasse, pois queria muito vê-Lo (Lucas 19:5-6). Jesus estava, certamente, muito ocupado. Ele tinha Seu foco em treinar Seus doze apóstolos, no entanto, encontrou tempo para Zaqueu. Parou tudo o que estava fazendo e deu atenção àquele cobrador de impostos, tão hostilizado pelo povo judeu!

A prioridade de Jesus era conectar pessoas. Não conhecia Zaqueu, mas logo de cara Se convidou para sentar à mesa com ele. Casa é sinônimo de intimidade. Sentar à mesa, na cultura oriental, é sinal de associação, conexão, amizade. Assim também, todo seguidor de Jesus é intencional em se lançar a novos relacionamentos.

Certa vez, Paulo e sua equipe se encontraram com uma mulher chamada Lídia (Atos 16:13-15). Eles foram para a beira do rio na intenção de achar um lugar para oração, mas se encontraram com algumas mulheres que estavam reunidas lá. Logo Paulo criou uma conexão, e Lídia recebeu o evangelho. O fruto estava maduro!

Acontece que somos extremamente inclinados a nos relacionarmos com pessoas que já conhecemos, com as quais nos sentimos bem. Temos uma dificuldade enorme de ser intencionais em novas amizades. Mas o desafio é nos achegarmos a pessoas que não conhecemos e que não conhecem a Deus.

A Bíblia diz que quem conquista almas é sábio (Provérbios 11:30). Uma alma é um território. Conquistar é o mesmo que ocupar. Conquistar é ganhar a amizade, o respeito, a atenção, a consideração. Portanto, antes de ganharmos uma pessoa para Jesus, precisamos ganhá-la para nós, não no sentido de dominar ou manipular, mas de ganhar a confiança, a credibilidade. Isso se faz com amor, dedicação, esforço e tempo.

Lançar-se a novos relacionamentos, portanto, é a estratégia para cumprirmos nosso propósito, e a nossa arma é tão somente a intencionalidade. Todo o poder já está em nós pelo Espírito Santo que nos foi dado. Só precisamos vencer a guerra contra nós mesmos, nosso egoísmo e exclusivismo. Em Cristo Jesus já somos vencedores. Amém!

Links
Compartilhe em suas redes sociais