Série: Abrace | 1. O abraço cura

O abraço tem um poder incrível! Estudos mostram que os abraços têm o poder de reduzir os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea, além de diminuir o risco de doenças cardíacas. Um abraço também é capaz de fortalecer o sistema imunológico e diminuir os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, como também fazer o corpo liberar oxitocina, conhecido como o hormônio do amor e da felicidade.

 

O nosso próximo está ferido. Queremos falar sobre o abraço de forma mais abrangente. É sobre acolhimento, afeto, aproximação, relacionamento e aceitação. Certa vez, Jesus disse a um perito na lei que para herdar a vida eterna é preciso amar ao Senhor de todo o coração e amar ao próximo como a si mesmo (Lucas 10:27). Mas, o homem querendo se justificar, perguntou a Jesus: “... E quem é o meu próximo?” (Lucas 10:29). Em resposta, Jesus contou uma parábola (Lucas 10:30-37).

Aquele homem ferido, quase morto, pode muito bem representar os feridos de alma, que foram atacados interiormente, nas suas emoções e sentimentos. Jesus falou sobre esse ladrão (João 10:10). Trata-se do próprio Satanás. Muitas pessoas estão assim em relação à vida, quase mortas, sem reação, sem sonhos, sem perspectivas, desanimadas e sem esperança. Estão mortas por dentro, embora vivas no corpo.

Nosso inimigo tenta de todas as formas ferir a nossa autoestima e nos distanciar do propósito para o qual existimos. Ele promove eventos e cenários ao longo da nossa vida para atingir nossa mente, e nos fazer sentir um zero à esquerda, a fim de nos intimidar e paralisar o nosso propósito. Cada vez que alguém nasce, nasce também um plano, pois somos criados à imagem e semelhança de Deus, e o inimigo vai fazer de tudo para que esse plano não se concretize. As feridas na alma são as mais dolorosas, as que trazem maiores sequelas e as mais difíceis de sarar. Estamos cercados de pessoas assim.

 

O mais importante. Na história que Jesus contou, um sacerdote e depois um levita, caminhando pela mesma estrada, viram o homem quase morto passaram pelo outro lado e nada fizeram (vs 31-32). Sacerdotes e levitas eram os que cuidavam das coisas do templo, da liturgia, dos rituais e dos sacrifícios. Eles oravam, ministravam, atendiam o povo, enfim, eram envolvidos com todas as demandas que o serviço do templo exigia. Eram profundos conhecedores da lei, no entanto, nada fizeram, se distanciaram!

Isso nos fala sobre o perigo da religiosidade. Os próprios afazeres “espirituais” podem nos afastar do que realmente importa. Quantos perdem a sensibilidade para com os feridos ao redor por conta das agendas ministeriais tão lotadas! Muitos são deixados à margem, quase mortos, sem socorro, porque temos tanta coisa para fazer dentro da igreja, que não nos sobra tempo para o mais importante. “O mais importante é fazer do mais importante o mais importante”: abraçar, acolher e cuidar das pessoas!

 

Abraçar é cuidar. Um samaritano se aproximou e teve compaixão daquele homem (v 33). Jesus foi intencional em usar a figura de um samaritano como personagem. Os samaritanos eram discriminados e hostilizados pelos judeus, porque, ao longo da história, tinham se misturado com outras raças. Por isso, os judeus os consideravam mestiços, tanto física quanto espiritualmente. Mas esse samaritano, que era quase um “pagão”, deu atenção e abraçou aquele homem. Ele parou tudo, interrompeu a viagem, não se importou se iria perder algum negócio ou algum compromisso importante, mas, se aproximou (abraçou), enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo (v 34).

Foi o próprio samaritano que tratou das feridas. Tanto o vinho, quanto o óleo são símbolos do Espírito Santo. A alma não pode ser curada através de terapias e técnicas de psicologia, mas pelo poder sobrenatural do Espírito Santo. Em seguida, o samaritano levou o homem para uma hospedaria e cuidou dele. Ele deu prosseguimento. Infelizmente, muitos que são batizados não são consolidados na fé, porque não são acompanhados de perto. Isso exige atenção, foco, intencionalidade, tempo de dedicação!

Todos precisam ser inseridos numa célula. O ambiente da célula é a “hospedaria”, o lugar de cura e crescimento espiritual, através dos relacionamentos e vínculos de amor. A dinâmica do “uns aos outros” forja o nosso caráter. É no ambiente onde as diferenças aparecem que nossa fé é consolidada, pois isso implica renúncia, humildade e serviço.

No dia seguinte, o homem deu dois denários ao hospedeiro e se comprometeu em voltar (v 35). Ele delegou a tarefa. A célula é uma família. Todos cuidam de todos, todos se preocupam, todos abraçam. Isso implica dispor também de recursos financeiros, quando necessário. O samaritano se sentiu responsável! Não considerou a tarefa concluída, não descansaria até ver o homem completamente curado e recuperado. Abraçar não é sobre um socorro momentâneo, mas é se importar até ver a cura completa.

 

Conclusão. Jesus deixou uma última palavra: “... Vá e faça o mesmo” (v 37). Este é o papel da Igreja. Somos um povo que se compadece e se aproxima. Não somos dos que “passam pelo outro lado”, mas somos acolhedores, nos importamos com o próximo, cuidando das feridas até que esteja completamente recuperado. Este é o povo que abraça. Abrace mais dois, o amor acolhe!

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