João 4:6-30
Publicado em 21/03/2025
Vivemos tempos em que, apesar dos inúmeros avanços e recursos disponíveis, muitas pessoas continuam morrendo de infarto e inúmeras doenças ligadas a sobrecarga emocional, estresse, solidão e falta de propósito.
A sociedade em que estamos inseridos é voltada para o "eu": conquistas, posses, status. Estamos cada vez mais isolados, e até mesmo dentro da igreja, buscamos muitas vezes apenas aquilo que nos trará uma “semana melhor”. Esquecemos que fomos chamados não apenas para receber, mas para doar.
Por que, ao conhecermos a Cristo, nos escondemos no anonimato? Por que silenciamos, quando o mundo clama por abraços que salvam?
O encontro entre Jesus e a mulher samaritana ocorre num cenário de tensões culturais e religiosas. Os judeus acreditavam que somente em Jerusalém se podia adorar a Deus. Os samaritanos, por sua vez, viam o monte Gerizim como o lugar sagrado. Além disso, havia um rígido protocolo social: homens, especialmente religiosos, não falavam em público com mulheres, muito menos com samaritanas, que eram vistas como impuras. E é neste contexto que Jesus rompe barreiras e se aproxima daquela mulher. Em um gesto simples, mas poderoso, Ele inicia um diálogo que mudou sua história para sempre.
POR QUE OS CRISTÃOS SE CONECTAM COM AS PESSOAS?
Jesus encontra essa mulher num horário incomum, ao meio-dia. As mulheres costumavam buscar água de manhã ou no final da tarde. Estar ali ao meio-dia mostrava que aquela mulher evitava os olhares e julgamentos da sociedade por causa de sua reputação. Ela já se via impura, indigna. Quantas pessoas ao nosso redor não se sentem assim?
Quando se aproximam de Deus, o que mais precisam não são de questionamentos, mas de acolhimento. Jesus inicia a conversa pedindo água. Um pretexto para oferecer algo muito maior: água viva, capaz de saciar a sede da alma. “Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca” (Isaías 44:3). A mulher olha para o natural, mas Jesus a convida a enxergar além. Ele se revela como fonte de vida, transformação e esperança (Apocalipse 21:6). Como seguidores de Cristo, nos permitimos viver experiências em favor dos outros, porque já recebemos o melhor dEle. O Evangelho não promete vida fácil, mas vida nova.
A mulher se interessa pela oferta de Jesus, desejando alívio. Mas ainda não compreendia a profundidade do que Ele dizia. Então, Jesus toca na sua dor, revelando sua história e sua vergonha. Ela não foge, não nega, mas se rende. Não havia mais como disfarçar. Jesus não a expõe para humilhá-la, mas para curá-la.
Quantas vezes queremos repreender o pecado, sem antes apresentar o Salvador? Jesus não nos manda julgar o estado das pessoas, mas mostrar-lhes o caminho da eternidade (João 8:31-36).
A mulher traz à tona uma questão teológica, o local da adoração, como quem diz: “não há mais esperança para mim”. Mas Jesus muda o foco: não é sobre lugar, é sobre o coração (João 4:24). Cristo não oferece um novo endereço, Ele oferece nova vida. “O céu não é o destino dos perfeitos. É o lar dos arrependidos” – Billy Graham.
Ao ter o coração tocado, a mulher se torna uma mensageira. Ela já não foge, mas anuncia! Quando a mensagem de Cristo alcança um coração, nada pode resistir ao Seu poder. Jesus revelou Sua identidade, ofereceu salvação, e aquela mulher se tornou uma portadora da boa nova (Romanos 10:14). Ela recebeu água viva, sua alma foi saciada. E agora, ela abraça outras vidas com a mesma esperança que recebeu (João 10:16).
Conclusão: E nós? Temos abraçado as vidas ao nosso redor? Ou temos retido aquilo que há de mais precioso em nós: Cristo? (Filipenses 3:8). Deus quer curar nossa terra. Mas Ele quer começar por nós. Que sejamos aqueles que não se escondem, mas se levantam, que não condenam, mas abraçam, que não se calam, mas anunciam. Abraçar é mais do que um gesto, é uma escolha de amor. E amor transforma, restaura e salva.