(Filipenses 2:5-11)
Publicado em 02/01/2026
A mensagem central que movia a Igreja Primitiva deve ser o fundamento da nossa fé: Jesus Cristo é o Senhor! Cristo, antes de nascer, já existia em forma de Deus (João 1:1). Mas Ele Se despojou. Sendo Deus, não se apegou à Sua igualdade com o Pai, mas esvaziou-se, assumindo a forma de criatura e, mais do que isso, a forma de servo. Jesus desceu todos os degraus possíveis: de Deus a homem, de homem a escravo, e de escravo à morte mais terrível e maldita da época — a morte de cruz. Ele Se fez pecado por nós. Enquanto nós, seres humanos, buscamos sempre subir e nos destacar, Cristo nos ensinou que o caminho para a exaltação passa pela humilhação voluntária.
Por causa dessa obediência radical, Deus O exaltou sobremaneira e Lhe deu o nome que está acima de todo nome: Senhor. Nos dias de hoje, “senhor” não parece um título importante. A qualquer pessoa chamamos de “senhor”. Antigamente não se chamava assim qualquer pessoa, era um título que poucos possuíam, digno de respeito.
Escravos de Jesus Cristo
No grego original, esse título é Kyrios, que significa Chefe, Dono, Amo e Autoridade Máxima. Confessar Jesus como Senhor é reconhecer que Ele é o nosso proprietário e patrão, e que nós somos Seus escravos por amor. Nos tempos de Jesus foi um termo muito forte. O amo era o dono da vida de seus servos. Tinha o direito até de tirar-lhe a vida. Além disso, “Senhor” significa “soberano”, o que está sobre tudo.
Naquela época, quando um escravo escrevia uma carta, devia assinar seu nome e acrescentar: “escravo de…”, colocando ali o nome do seu amo. As cartas não eram assinadas no final, mas no começo. Por isso, observamos que Paulo escrevia assim as suas cartas. Por exemplo: “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus,...” (Filipenses 1:1). Em grego, a palavra significa mais que “servos”, significa “escravos”!
Nos dias do Império Romano, havia uma única pessoa digna de possuir o título de Kyrios, era César, o Imperador. A saudação comum era “Cézar é o Kyrios”. Quando os cidadãos romanos se encontravam, saudavam-se uns aos outros levantando uma mão e dizendo: “Cesar é o Kyrios”. De fato, César era o Kyrios de todo o Império Romano, o que mandava, o dono de todo o território, tudo pertencia a César. Quando ele queria uma propriedade, simplesmente tomava, não tinha que pagar indenização a ninguém.
Mas durante os dias desse império, outro Império começava a tomar força e a estender-se sobre toda a Terra: O Império de Jesus Cristo. Cada pessoa que agregava à Primitiva comunidade cristã, reconhecia que Cristo era o Senhor de sua vida. Por isso, nas saudações, os cristãos não respondiam “César é o Kyrios”, e sim “Jesus Cristo é o Kyrios”. Os cristãos preferiam morrer a negar que Jesus Cristo é o único Kyrios.
O Evangelho do Reino
Diferente de muitas pregações modernas, que focam apenas em "ofertas" de paz e prosperidade, Jesus pregava o Evangelho do Reino, que exige uma decisão de submissão à autoridade do Rei. Quando Ele chamou Pedro e André (Mateus 4:18-20) ou Mateus (Mateus 9.9), Ele não fez um convite sutil, mas deu uma ordem de autoridade. Seguir a Jesus significava que, a partir daquele momento, a vontade própria deles estava rompida e Cristo passaria a mandar em tudo. A atitude deles foi dizer: “Agora nos sujeitamos a Jesus. Ele é quem manda em nossas vidas”. Mateus, por sua vez, não pediu para Jesus voltar no final do expediente. Era uma ordem!
Vemos essa mesma transformação na vida de Zaqueu (Lucas 19:8), que ao reconhecer o senhorio de Jesus, abriu mão do controle de seus bens imediatamente. Jesus não perguntou “Posso me hospedar em sua casa hoje?”. Não, Ele disse: “... Quero ficar em sua casa hoje” (v 5). Zaqueu simplesmente se rende e decide que daquele momento em diante Jesus passaria a mandar em sua casa. Ao decidir entregar os seus bens, Jesus disse: “... Hoje houve salvação nesta casa…” (v 9).
Em contraste, o jovem rico (Mateus 19:21-22) retirou-se triste, pois não estava disposto a entregar o controle de sua vida e de suas riquezas ao Senhor. A atitude dele parece dizer: “O que eu tenho é meu. Eu sou o dono e senhor da minha vida e das minhas propriedades”. Jesus pregava o Evangelho do Reino, no qual, conversão significa total rendição à Sua autoridade.
Na Igreja Primitiva as pessoas se convertiam reconhecendo Cristo como o Senhor de suas vidas. Em todas as suas epístolas o apóstolo Paulo fala somente três vezes de Cristo como Salvador; no entanto, usa a palavra Kyrios (Senhor) mais de 300 vezes. A salvação ocorre quando O confessamos como Senhor (Romanos 10:9).
Adão e Eva não mataram nem roubaram, eles se rebelaram. O maior pecado é “eu faço o que me dá vontade”. Isso se chama rebelião. Jesus afirma que apenas chamá-Lo de Senhor não nos dá o direito de entrar no Reino dos céus (Mateus 7:21). A verdadeira conversão é o traslado do reino das trevas — onde fazemos o que queremos — para o Reino da Luz, onde vivemos como Ele quer. Jesus nos ensinou a orar: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). O Reino dEle é a Sua vontade. Proclame a Jesus Cristo como Senhor da sua vida.