Segundo o apóstolo Paulo, há dois reinos neste mundo: o das trevas e o da luz (Colossenses 1:12-13). A Bíblia é clara ao afirmar que não somos seres independentes, mas súditos de um governo espiritual, seja ele o das trevas ou o da luz. Deus nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do Seu Filho amado.
Todo reino é composto por um rei que governa e súditos que obedecem. Não pode haver reino sem rei, muito menos rei sem súditos. Por natureza, todos nascemos no reino das trevas devido à rebelião de Adão, que quis fazer a sua própria vontade em vez da vontade de Deus. A verdadeira conversão consiste em ser trasladado das trevas para o Reino da Luz. Como se chega a pertencer a um reino? Tornando-se súdito do seu rei! Muitas vezes, nossa vida pode muito bem representar um regime monárquico como na atual Grã Bretanha. Lá existe um rei, que recebe aplausos, glória e homenagens, mas não governa. Ele é apenas uma figura decorativa, porque quem governa é o primeiro-ministro e a Câmara dos Lordes. Assim também pode acontecer na Igreja. Quem
não reconhece que Jesus é o Rei? Todos, certamente. Acontece que, muitas vezes, Cristo reina, porém, não governa. O “primeiro ministro” (eu) é o que maneja tudo! Quais são algumas marcas que identificam a qual reino pertencemos?
1. A Lei que nos rege. Cada nação tem a sua lei. O mesmo acontece na esfera espiritual. A lei do reino das trevas é baseada em Efésios 2:3. Há uma referência direta aos desejos, à vontade e aos pensamentos da nossa carne. A carne é a nossa natureza
humana não regenerada, que herdamos de Adão, nossos impulsos, desejos, pensamentos e vontade própria, que estão contra a vontade de Deus. Satisfazer os desejos da carne é “fazer o que me dá na cabeça”. A regra é “não se reprima”, como já cantava o grupo Menudos, em 1984 - “Não segure muito teus instintos/ Porque isso não é natural/…Vá em frente, entra numa boa/… Não controle, não domine, não modere/ Tudo isso faz muito mal…”.
Já no Reino da Luz, a única lei é: “Viva como Ele quer”. Não se trata de obedecê-Lo apenas quando nós queremos, mas em qualquer circunstância. Já não posso mais reger minha conduta; minha vontade deve estar definitivamente rendida à dEle. Qual é a lei que
se cumpre em nossas vidas? Em relação a muitas coisas, fazemos o que Ele quer, mas com respeito a outras, fazemos o que queremos. Não podemos ficar com um pé de cada lado. Deus quer de nós uma definição!
2. O Idioma que falamos. Nosso falar denuncia nossa procedência. O idioma das trevas é a lamúria (queixa e descontentamento), que é a linguagem do inferno e dos derrotados. Nossa maneira de falar denuncia quem está reinando em nosso coração. Quem reclama
de tudo o tempo todo dá sinais de que há trevas por dentro dela (Mateus 12:34). O idioma do Reino da Luz, por sua vez, é o louvor e a gratidão constante (Efésios 5:20; I Tessalonicenses 5:18). O louvor é o idioma do povo triunfante, vitorioso. Dar graças sempre por tudo é uma questão de fé, de crer que todas as coisas contribuem para o nosso bem (Romanos 8:28). Algumas pessoas falam o "Queixavor", um dialeto de fronteira, onde o cristão mistura louvor no culto com queixas no dia a dia, revelando que ele ainda vive com um pé em cada reino.
O mundo ficará maravilhado ao ver-nos dando graças a Deus sempre e por tudo. Na adversidade ou na prosperidade, no êxito ou no fracasso, na montanha ou no vale, não podemos deixar de falar o idioma do Reino dos Céus, nosso idioma.
3. A Bandeira que usamos. Cada país tem uma bandeira, que o identifica como nação, sem precisar dizer nada. Assim também, o mundo nos identifica pela bandeira que hasteamos. No reino das trevas, a bandeira é o egoísmo, onde tudo converge para o "eu". Vivo para mim, esforço-me para mim, preocupo-me apenas comigo. Tudo converge para mim. Se a bandeira que tremula sobre alguém é o egoísmo, seu reino é o das trevas!
Qual é a bandeira do Reino de Deus? O que poderão ver em nós que, sem dizer nada, nos identifica como discípulos de Jesus? Jesus deixou claro qual é essa bandeira (João 13:34-35). No Reino de Deus, a bandeira é o amor prático. O amor uns pelos outros é o sinal distintivo dos discípulos de Jesus. A Bíblia diz que quem afirma estar na luz, mas odeia, ou menospreza, seu irmão, permanece nas trevas (1 João 2:9, 11). Se você não suporta alguém é porque o detesta. Detestar é deixar de amar. E se você detesta um irmão, Deus diz que você ainda está vivendo nas trevas (I João 3:15).
João afirma que quem não ama, não é de Deus (I João 3:10). Qual o verdadeiro sinal de que passamos da morte para a vida? (I João 3:14). Não é porque um dia tomei uma decisão e fui batizado, mas pelo faço agora. Nosso testemunho deveria ser: “eu sei
que pertenço ao Reino de Deus porque amo meus irmãos”. O amor não é um sentimento, mas um mandamento que exige obediência (1 João 3.23). O que se faz com um mandamento? Simplesmente, deve-se obedecê-lo. Ele manda, eu obedeço. Vou amar mesmo que não sinta nada. Vou tratar alguém que eu não gosto como se o amasse. Deus desata Sua bênção na obediência!
Em muitos casos, o povo cristão é conhecido porque não fuma, não bebe, não joga, usa roupas diferentes, etc. Mas o mundo precisa ter de nós a imagem correta, de uma comunidade dinâmica, positiva, que ama, que se solidariza, de tal maneira que digam: “eu também quero pertencer a essa comunidade”. Esta é a nossa bandeira!