Jesus jamais apresentou uma mensagem voltada às conveniências humanas; Sua pregação foi estritamente centrada no Reino de Deus. O Evangelho do Reino não busca o consenso, mas o confronto; ele exige arrependimento genuíno e convoca o homem à total submissão ao governo do Rei.
O EVANGELHO ANTICATÓLICO
Dada a predominância católica na América Latina, os primeiros missionáriosestabeleceram-se sobre uma base essencialmente reativa. Durante décadas, oesforço evangelístico concentrou-se mais em dominar textos bíblicos para o debate e a refutação do catolicismo do que em expor as demandas do Reino. Dessaabordagem surgiu o “evangelho anticatólico”, uma vertente que, em vez de formar súditos do Rei, forjou um povo com espírito meramente opositor. Por muitotempo, apregação foi reduzida ao ataque, ora explícito, ora dissimulado, às estruturas romanas, perdendo de vista a centralidade e a glória do governo de Cristo.
O EVANGELHO DAS OFERTAS
O “evangelho das ofertas” é a perversão da graça que seduz o homemcombenefícios, como perdão, felicidade e o céu, enquanto oculta deliberadamente a sdemandas do Reino. Essa pregação parcial distorce o papel de Cristo, apresentando-O em Apocalipse 3:20 como um mendigo que suplica paraentrar nocoração, quando, na verdade, a realidade do Reino exige que o homem cesse sua resistência e se renda ao governo absoluto do Rei.
O CONTEÚDO DA PREGAÇÃO DE JESUS
O principal objetivo da pregação de Jesus era a proclamação absoluta do governo de Deus, sintetizada no chamado: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo” (Mateus 4:17). Suas parábolas não eram apenas ilustrações, masfiltros espirituais que revelavam a natureza de Seu domínio aos súditos e a o cultavam dos rebeldes. Cristo definiu Sua missão em Lucas 4:43 como a necessidade de pregar as boas novas do Reino, evidenciando que a salvação é o meio de restaurar o homem ao governo divino.
Não há separação entre salvação e Reino; qualquer distinção geraumamensagem incompleta. A união desses conceitos é selada em Mateus 4:16-17 e Marcos 1:14-15, onde a luz da salvação exige arrependimento imediato e fé como resposta à chegada do governo de Deus. Em suma, a pregação de Jesus confrontao orgulho humano ao decretar o fim da autonomia própria e estabelecer a autoridade do Rei como o único fundamento do verdadeiro Evangelho.
ARREPENDIMENTO COMO MUDANÇA DE GOVERNO
O verdadeiro arrependimento no Evangelho do Reino é a capitulação da independência humana perante a soberania divina. Conforme Atos 2:36, Deus estabeleceu Jesus como Senhor e Cristo, transformando a fé emumarendiçãoabsoluta ao único Kyrios. Esse processo não é meramente emocional, mas uma transferência de jurisdição que nos resgata do domínio das trevas para a autoridadeda Luz (Atos 26:18).
Essa mudança de governo exige que o súdito rompa comos padrões deste século, oferecendo sua vida como um sacrifício vivo e racional sob a vontade soberana de Deus (Romanos 12:1-2). Em suma, o arrependimento bíblico transcende o remorso moral: é uma mudança radical de mente e senhorioqueencerra a autonomia do "eu" para estabelecer o governo inegociável do Rei sobretoda a existência.
O REINO CHEGA NA PESSOA DO REI
A pregação apostólica foca na integridade de Cristo, proclamando-OcomoSenhor (2 Coríntios 4:5), de modo que salvação e cura são frutos de Sua identidadecomo Kyrios. O Evangelho do Reino rejeita a superficialidade e exige uma escolha radical: a rendição à majestade de Jesus ou a permanência na independência rebelde. Essa realidade é prática e atual: onde o Rei governa, as trevas recuam e o domínio do pecado é aniquilado (Lucas 11:20). O Reino estabelece um governo onde o homem renuncia ao direito de viver para si mesmo, confrontando aqueles que desejam as bênçãos do trono, mas rejeitam a autoridade de quem nele se assenta.
CONFRONTO COM O EVANGELHO MODERNO
O Evangelho do Reino estabelece um divisor de águas entre o governo das trevas, pautado na autonomia do “viva como você quer”, e o Reino da Luz, regido pela soberania do “viva como o Rei quer”. Conforme Efésios 2:3, a naturezacaídabusca a satisfação dos próprios desejos, mas o verdadeiro Evangelho exige a renúncia dessa independência rebelde. Enquanto a mensagem moderna foca no conforto e no serviço ao homem, o Evangelho de Cristo oferece o Seu governo, transformando o arrependimento na entrega definitiva da autonomia humana em submissão total ao Rei.
CONCLUSÃO
O Evangelho do Reino não busca a aprovação ou o aplauso do homem, masexige sua rendição absoluta, mudando a indagação de um simples desejo pelas bênçãos para o confronto decisivo: você aceita, de fato, submeter-se aogovernodo Rei?