(Hebreus 13:15-16)
Publicado em 20/03/2026
Pesquisas mostram que quanto mais uma pessoa sofre dificuldades, especialmente na infância e juventude, tem maior probabilidade de desenvolver a resiliência, que é “a capacidade humana de superar os problemas, transformando os momentos difíceis em oportunidades para aprender, crescer e mudar”. Quem passa por grandes sacrifícios tende a ser mais agradecido, e está mais disposto a fazer sacrifício!
Sabe-se que, quanto mais rico é um país, mais as pessoas se afastam de Deus. Quanto maior os recursos materiais, intelectuais, acadêmicos, científicos, financeiros, tecnológicos..., maior é a autoconfiança e a falta de percepção da necessidade de Deus. É por isso que Jesus disse: “... Quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?” (Lucas 18:8).
Louvor sacrificial
“Sacrifício” é a oferta de alguma coisa muito preciosa, e “louvor” é o ato de glorificar, enaltecer, dignificar, engrandecer, tornar majestoso… Como falar de sacrifício num tempo em que o hedonismo (doutrina moral e filosófica que prega que a busca incessante pelo prazer e a negação das dores são meios para o encontro da felicidade) é tão aflorado? Não será esta a razão pela qual o evangelho da cruz está sendo abordado tão timidamente?
Mas é em meio a uma geração acomodada, auto-centrada e focada no conforto que o evangelho da cruz e do Reino prevalecem. O evangelho é uma história e uma proposta de sacrifício. Jesus Se sacrificou por nós dando a própria vida. Essa dádiva se chama “graça”, e só alcança a consciência humana por revelação do Espírito. A consciência do sacrifício de Cristo (que perdoou os nossos pecados, nos reconciliou com o Pai e nos livrou da condenação eterna) produz em nós profunda gratidão que, por sua vez, gera uma disposição alegre de sacrifício por Ele!
“Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15). Não é mais um sacrifício de animais, como se fazia no AT, mas um sacrifício contínuo de si mesmo, como reafirma Paulo em Romanos 12:1: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês”. É o louvor sacrificial que agrada a Deus, e não meras palavras, pois, na sequência, o texto diz: “Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada” (13:16).
Esse nível de louvor sacrificial é diretamente proporcional à revelação do sacrifício de Cristo por nós. Jesus disse: “Vocês receberam de graça; dêem também de graça” (Mateus 10:8). Só vai dar de graça quem recebeu a revelação da graça! Ou seja, só quem entendeu o tamanho do sacrifício de Jesus é que não vai medir esforços para se dar aos outros. E o amor de Jesus é o padrão: “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos” (I João 3:16).
A força da gratidão gera o sacrifício
A nossa ingratidão se revela através da indiferença em relação às pessoas. A gratidão gera o efeito contrário: disposição para derramar nossa vida em favor dos outros. Por que temos a forte tendência de nos limitarmos e até paralisarmos em nossas zonas de conforto? Por que muitos não saem do seu quadrado para cumprir a missão e o pleno propósito de Deus? A resposta está diretamente ligada ao entendimento do que Jesus fez. A medida da consciência é a medida da gratidão! É a força da gratidão que nos leva ao esforço do sacrifício, por isso a expressão “sacrifício de louvor”. É uma gratidão tal que não impõe reserva alguma ao sacrifício. Paulo orou para que a Igreja tivesse a revelação do tamanho do amor de Cristo: “… Oro para que, estando arraigados e alicerçados em amor, vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:17-19).
Assim como no AT os corpos dos animais eram queimados fora do acampamento, também hoje o sacrifício de louvor que agrada a Deus é aquele que fazemos fora das quatro paredes, tanto da nossa alma, como também físicas - “Assim, Jesus também sofreu fora das portas da cidade, para santificar o povo por meio do seu próprio sangue. Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou. Pois não temos aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir” (Hebreus 13:12-14).
A revelação da graça produz gratidão, gratidão produz esforço (sacrifício) que, por sua vez, gera fruto. Quando o sacrifício é movido pela gratidão, ele se torna prazeroso. O sistema do Anticristo tenta nos acomodar e prender a este mundo, mas a revelação do evangelho da graça é poderosa para nos arrancar da zona de conforto, a fim de cumprirmos nossa missão com alegria transbordante!