O Evangelho age em nós de dentro para fora, em contraposição à filosofia deste mundo que propõe um efeito de fora para dentro. O humanismo secular tem em um de seus pressupostos filosóficos a ideia de Jean Jacques Rousseau - “O homem nasce bom, porém a sociedade o corrompe”. Mas a Bíblia diz: “Não há nenhum justo, nem um sequer;... não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer” (Romanos 3:10, 12).
A maldade está em nosso DNA. Através de Adão o pecado entrou no mundo, e toda humanidade foi contaminada (Romanos 5:12). Há, no entanto, uma profecia do AT que prenuncia o evangelho: “Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis” (Ezequiel 36:26,27). É sobre um transplante de coração! Coração é a mesma palavra para “espírito”, o nosso ser interior, o que realmente somos, enquanto criaturas, segundo à imagem e semelhança de Deus Pai. É em nosso espírito que Ele quer agir, para que tenhamos uma nova natureza.
Coração de pedra é uma referência à nossa obstinação, resistência, dureza, orgulho. Coração de carne é sobre um interior sensível, rendido, humilde, maleável, ensinável, obediente… É nesse coração que os princípios (leis) podem ser escritos facilmente, em oposição às leis de Moisés, que foram escritas em pedras (Jeremias 31:33).
A raiz e os frutos
Não somos pecadores porque praticamos pecados, mas praticamos pecados porque somos pecadores! O nosso problema está na raiz e não nos frutos. Por isso, não podemos ser transformados focando em nossas atitudes e ações, como propõe a neurociência comportamental, mas na raiz delas, na causa dos nossos maus comportamentos. Jesus disse: “Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons” (Mateus 7:17,18).
Jesus também disse que os nossos olhos denunciam o nosso coração: “Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo estará cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mateus 6:21-23). O nosso foco (onde colocamos a nossa atenção) revela o nosso tesouro, ou seja, quais são os nossos valores (o que é valioso para nós).
Nossas decisões e escolhas são feitas de acordo com os nossos valores. Se estes estão em coisas passageiras é sinal de que o nosso coração é corrompido; se for em coisas eternas, é sinal de que o nosso coração é novo. Nosso corpo (comportamento) será bom se os nossos olhos forem bons, como fruto de um coração transformado. O contrário é verdadeiro.
A solução é renascer
Jesus fala sobre a necessidade de renascermos (João 3:3). Esse “novo nascimento”, em um novo Reino, só pode acontecer se primeiramente houver uma morte. É sobre morrer para um reino e nascer em outro. Não se trata de morrer fisicamente, por fora, mas interiormente. A vontade de Deus só se instala em nós quando a nossa sai de cena. Por que o símbolo da fé cristã é a cruz? Porque Jesus disse: “E quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (Mateus 10:38).
Cruz é morte, é renúncia de si mesmo. Sem morte, não há ressurreição. A nossa parte é morrer, a de Deus é nos ressuscitar! A nossa parte é a mais difícil, porque ninguém quer morrer. Queremos viver do nosso jeito, tomando as nossas decisões, sendo donos do próprio nariz. Morte de cruz dói. É sobre renúncia. Toda renúncia dói, porque mexe com nosso conforto e orgulho. No entanto, só tem vida se tiver morte.
A vida plena que Jesus nos oferece (João 10:10), nasce da morte. Cada um tem a sua a sua cruz. Jesus já tomou a dEle, quando nos substituiu pagando a nossa dívida de morte; agora é nossa parte fazermos o mesmo para que a aliança seja selada. Paulo diz: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim…” (Gálatas 2:20). Não podemos nos esforçar para viver a vida dEle, apenas morrer para que Ele mesmo viva através de nós!
A cruz, portanto, é a renúncia da vontade própria para que a vontade dEle prevaleça. É deixar as opiniões, as razões, os desejos da carne, o orgulho, o egoísmo, as coisas desta vida, e voltar a atenção para o que é eterno rendendo-se ao Rei Jesus. Somos o tempo todo tentados a descer da cruz, assim como fizeram com Jesus: “... Desça da cruz, se é Filho de Deus!” (Mateus 27:40). Ele podia, mas não o fez. Quando estava no Getsêmani, também disse ao Pai: “... Se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mateus 26:39). Jesus sabia que sem morte não haveria ressurreição. É essa mesma consciência que nos move; sem a própria morte, a vida dEle não pode fluir, de dentro para fora. estará cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!” (Mateus 6:21-23). O nosso foco onde