Sabemos que Jesus é a Cabeça do corpo, que é a Igreja. Assim como o corpo segue os comandos da cabeça, também Jesus é Senhor da Igreja. Um corpo sem cabeça está morto. É a cabeça que mantém a vida e os órgãos funcionando. Portanto, a comunhão com a Cabeça (Cristo) é que determina a comunhão horizontal (uns com os outros). “Comunhão” é a tradução da palavra grega koinonia, que significa “associação, comunidade, convivência”, e também “intimidade”. Os primeiros cristãos perseveravam na comunhão (Atos 2:42). Não era uma prática pontual, mas um estilo de vida.
A comunhão, portanto, é o que caracteriza a Igreja como um ambiente de amor, que acolhe e cuida. Quando todos cuidam, todos são cuidados! Um pastor, ou mesmo um líder de célula, não consegue cuidar de todos. É por isso que a Bíblia nos compara a um corpo, onde todos os membros funcionam e interagem. Isso explica porque um líder é um mobilizador. A principal função de um mobilizador de célula é estimular, provocar, incentivar, os irmãos a viverem os propósitos de Deus, e a comunhão é um deles.
Somos responsáveis uns pelos outros
É através da comunhão que somos realmente cuidados. Sem ela não podemos crescer saudáveis. Essa relação de intimidade entre os irmãos não pode ter barreiras. Existem barreiras internas e externas, que podem ser estratégias de Satanás. Ele quer dividir para, então, enfraquecer. Certa vez, Jesus afirmou: “... Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mateus 12:25). Existe uma frase que não tem um autor único: “Dividir para conquistar”. Talvez o autor seja o próprio Diabo, porque o nome “Diabo” vem do grego diábolos, que significa literalmente “acusador”, “caluniador” ou “aquele que separa e semeia a discórdia”. E o nome “Satanás” significa “aquele que se opõe a outro”. Quando Judas estava à mesa da comunhão com jesus e os demais apóstolos, antes de concretizar a traição, o texto bíblico diz: “Tão logo Judas comeu o pão, Satanás entrou nele” (João 13:27). A mesa da comunhão é um filtro. Só conseguem ficar nela os que têm mãos limpas e coração puro. A mesa é para os íntegros; os dissimulados não gostam dela!
Depois de Caim matar seu irmão, Abel, Deus lhe perguntou: “... Onde está Abel, o seu irmão? Ele respondeu: — Não sei. Sou eu quem deve guardar o meu irmão?” (Gênesis 4:9). Esta é a pergunta que Deus faz a todos nós o tempo todo: “Onde está o seu irmão?”. “Como ele está?”. “Você se importa com ele?”. Somos responsáveis, sim, por nosso irmão. João escreve: “Esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que devemos amar uns aos outros. Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou o próprio irmão…” (I João 3:11,12). Não matamos fisicamente mas emocionalmente, quando não nos importamos. O contrário do amor é a indiferença!
Quebrando as barreiras à comunhão
Existem barreiras à comunhão que precisam ser quebradas. Uma delas é o nosso egoísmo. Estamos sempre muito ocupados com as próprias coisas: nosso trabalho, família, descanso, afazeres diários, entretenimento, etc. Somos levados pela correria e não lembramos do nosso irmão. A Igreja primitiva perseverava na comunhão. Perseverar é sobre se esforçar. Para tudo que tem valor arrumamos tempo. É a consciência de que a comunhão é uma prioridade que nos move a provocá-la. Paulo faz uma denúncia à Igreja de Corinto quanto à Ceia do Senhor: “... Ao dar a vocês as instruções seguintes, não os elogio, porque vocês não se reúnem para melhor, mas para pior… Quando vocês se reúnem, não é para comer a ceia do Senhor, porque cada um come a sua própria ceia sem esperar pelos outros. Assim, enquanto um fica com fome, outro se embriaga” (I Coríntios 11:17, 20, 21). Essa atitude era um reflexo do coração egoísta. Eles não estavam discernindo o corpo de Cristo, por isso traziam condenação ao comerem a ceia.
Outra barreira para a comunhão é a famosa “koinonite”. É uma doença que muitas igrejas e grupos contraem. Trata-se de se fechar em seus grupos onde “peru de fora não entra”. São as famosas “panelinhas”. Nossa tendência é ficar sempre com as pessoas que gostamos, com quem temos afinidade, e que, de certa forma, são mais fáceis de amar. É por isso que muitos querem evitar a dor da multiplicação de uma célula. Mas Deus coloca na mesma família pessoas com diferentes temperamentos, personalidades, gostos, ocupações, habilidades, na intenção de nos fazer aprender com as diferenças. A individualidade é um atributo, o individualismo é uma doença. Jesus colocou em Seu grupo de 12 dois discípulos com ideologias antagônicas: Simão, o Zelote (os Zelotes formavam um partido radicalmente nacionalista) e Mateus, o cobrador de impostos. No mesmo grupo Jesus reuniu Simão (um provável revolucionário anti-Romano) e Mateus (um publicano, cobrador de impostos que trabalhava diretamente para o governo romano). Jesus fez isso para nos ensinar que a Igreja é um lugar para todos, porque só o evangelho pode produzir transformação interior.
Paulo diz: “Amem-se de forma cordial uns aos outros com amor fraternal, preferindo-se em honra uns aos outros” (Romanos 12:10). Dar honra é dar a preferência, é o meu irmão primeiro. Assim, o amor nos faz acolher e cuidar de todos, mesmo os menos “interessantes”. É ser intencional em provocar relacionamentos e não fugir deles!