Quando Jesus foi interrogado pelos fariseus acerca do divórico, Ele foi incisivo: “Ninguém separe o que Deus uniu” (Marcos 10:6-9). Simples assim! Ele os fez refletir sobre o início de tudo: Um homem se une a uma mulher e juntos geram filhos. Esta é a família projetada por Deus. Assim foi no princípio, e este é o princípio. Muitos se referem a este “modelo” de família como tradicional ou conservadora; para nós, no entanto, trata-se do projeto original de Deus como Criador e Pai. Esta é a família saudável, funcional, a única que pode cumprir o pleno propósito de Deus na terra.
Sabemos que muitas famílias não estão constituídas dessa maneira. Existem muitos pais e mães solos, viúvos, viúvas, órfãos, e até relacionamentos fora do padrão original de casamento entre um homem e uma mulher. Os cristãos jamais devem hositlizá-los ou mesmo segregá-los, mas mostrar amor e acolhimento, sem, no entanto, abrir mão do princípio. Um discípulo de Jesus prega e vive a verdade, sem necessidade alguma de impor aos outros o que pensa, pois cabe ao Espírito Santo convencer de que toda quebra de princípios traz consequências. E, para aquele que já quebrou, sempre tem uma chance de ser restaurado e recomeçar dentro do propósito de Deus Pai!
O que um pai não deve fazer
O apóstolo Paulo escreve: “Pais, não irritem os seus filhos; antes, criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor” (Efésios 6:4). Aqui, a palavra “pais”, no grego é pater - “designa os genitores masculinos que exercem autoridade na família, mas que agora são chamados a governar com amor temperante segundo a vontade do Senhor e não conforme os costumes severos da época” (Strong). A responsabilidade do lar cabe aos pais (homens), que são mordomos de Deus e representam a figura paterna de Deus.
Primeiro Paulo instrui sobre o que um pai não deve fazer: “não irritem os seus filhos”. A palavra “irritem”, do grego, pode ser também traduzida por “provocar à ira”. Significa despertar cólera ou ressentimento por tratar de modo injusto, áspero ou opressivo. O caráter do Pai celestial é longânimo e compassivo (Salmo 103:8). Este é o padrão. Por conta da velocidade com que tudo acontece hoje, estamos cada vez mais impacientes. Um pai irado, impaciente, irritado, promove a ira dos filhos. A Bíblia diz: “Pois a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tiago 1:20). Nada se resolve com raiva. Um pai jamais deve disciplinar ou corrigir um filho com ira!
Ao mesmo tempo, muitos pais promovem amargura, ressentimento e desânimo nos filhos por conta da ausência. Estes geram filhos órfãos de pais vivos! Tais filhos podem carregar uma mágoa profunda no coração por anos. Veja essa ilustração:
“O pai chega cansado à noite em casa após mais um duro dia de trabalho. Seu filho, com os olhos cheios de admiração abraça-o, e com voz tímida pergunta ao pai: — Papai, quanto você ganha por hora? O pai, surpreso, desconversa. O filho insiste: — Papai, quanto você ganha por hora? O sempre ocupado pai promete uma resposta para o dia seguinte, mas se aflige com a pergunta. Passado algum tempo, dirige-se ao quarto do filho e o encontra deitado. — Filho, você está dormindo? — Não, papai! − responde o garoto. — Querido, eu ganho 50 reais por hora. O filho levanta-se da cama, abre a gaveta e entre notas e moedas, conta 50 reais. Abraça o pai com ternura e, com os olhos cheios de lágrimas, pergunta: — Você pode me vender uma hora do seu tempo?”
O que um pai deve fazer
Mas agora Paulo diz o que os pais devem fazer: “Criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor”. A palavra “criar”, aqui, significa “alimentar até a maturidade, incluindo o sustento fisico, a formação moral, intelectual e espiritual”. A responsabilidade paterna não se restringe a suprir a casa com o sustento físico, deixando a educação nas mãos da mãe. É o pai que representa o Deus Pai e ensina os princípios.
A palavra “instrução” é paideia, que pode ser também traduzida como “disciplina”. Trata-se do treinamento completo da criança: correção, instrução e formação do caráter. No contexto bíblico é a educação corretiva e preventiva que molda a vontade segundo os preceitos divinos, incluindo a correção quando necessário, mas sempre com amor (Provérbios 13:24). Essa formação, portanto, precisa ser intencional, focada.
A palavra “conselho” pode ser também traduzida por “admoestação”, que significa literalmente “colocar na mente”. É o conselho verbal, a exortação que orienta a consciência, corrige pelo ensino bíblico e estimula a reflexão. Enquanto a disciplina trabalha o comportamento, a admoestação alcança a mente e o coração. Essa palavra faz eco com o que está em Deuteronômio 6:7. Se um pai não inculcar, as escolas por meio da doutrinação ideológica, as mídias sociais, as más companhias, vão fazê-lo!
Finalmente, o ensino deve ser no padrão do Senhor (kyrios). Jesus é a autoridade máxima da família cristã. Ele dá as regras e os parâmetros. As propostas humanistas estão cada vez mais acessíveis através dos meios de comunicação e das redes sociais. São conselhos que contrariam os princípios. Parecem bons, aceitáveis, interessantes, mas enganosos. Foi assim no Éden (Gênesis 3:6). Mas um pai segundo o caráter de Deus Pai jamais cairá no engano, por melhor que uma proposta possa parecer.