Todo cristão segue um critério em suas decisões da vida: princípios determinam valores, valores determinam escolhas. Todo princípio nasce em Deus, porque Ele é o Criador, o único que pode principiar, estabelecer leis e padrões. Só o Criador pode criar, o homem nada cria. Portanto, todo princípio humano é falso. A Bíblia diz: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria…” (Provérbios 9:10). Quem não teme a Deus fará escolhas baseadas em suas próprias ideias, isto é, sem bases, e o que não tem base cai.
Onde estão revelados os princípios? Nas Escrituras! Por isso, Jesus é a nossa referência, porquanto as Escrituras testificam dEle (João 5:39). É óbvio, portanto, que um cristão não escolherá para seu governante alguém que não considera a Deus e Seus princípios, porque seus valores são construídos em princípios. Isso não significa querer impor seus padrões de pensamento e comportamento cristão a toda a sociedade, pois Cristo nunca impôs o evangelho. O cristão assim age porque quer o melhor para a coletividade. O mal que não quer para si, não quer para ninguém (Salmos 33:12).
Se um cristão escolhe seu governante de acordo com seus valores, seria totalmente incoerente escolher ou mesmo apoiar candidatos ou partidos que tenham como fundamento ideologias baseadas em pressupostos filosóficos de pensadores e teóricos ateus, que defendem a desconstrução dos valores cristãos, pois ele exerce a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo (Filipenses 1:27).
Um verdadeiro cristão não basearia suas escolhas em conceitos criados por mentes formatadas no ateísmo, pois tem a mente de Cristo (Salmos 53:1). Faz sentido uma pessoa temente a Deus dar crédito a um tolo? Tolos não fazem o bem, pelo contrário “... corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis”.
Como pensa um cristão
Existem duas maneiras de se pensar e raciocinar: por princípios e pelo relativismo. O relativismo é antagônico ao evangelho, porque não admite o absoluto. Deus é absoluto, e Suas verdades não mudam. A cosmovisão dos cristãos é por princípios. Cristãos pensam, agem, falam e se comportam sempre pela lente dos princípios estabelecidos por Deus; porém, nunca de maneira impositiva, institucionalizada, mas com a prática do amor, que implica em firmeza (convicção) e ao mesmo tempo delicadeza (respeito).
Por outro lado, relativismo é inversão de valores. Uma verdade sempre será absoluta, assim como dois mais dois são quatro. Porém, o relativismo diz que a verdade é subjetiva, ou seja, depende do ponto de vista de cada um. O pensamento pós-moderno é essencialmente relativista, oposto ao absoluto. Mas Deus é absoluto, por isso Jesus disse que Ele é a verdade (João 14:6). Mas o pai da mentira é Satanás (João 8:44).
O relativismo faz da verdade uma mentira e da mentira uma verdade, porquanto baseia-se na completa descrença em um Deus criador, que determinou princípios à criação. A lógica, portanto, é: se não há Criador, não há princípios; a regra é não ter regras. O profeta Isaías já se referiu ao relativismo há centenas de anos antes de Cristo (Isaías 5:20-21). A exclamação “ai” está ligada à juízo. Ou seja, os que invertem os valores sofrerão as consequências.
A postura adequada de um cristão
À nós, cristãos, não cabe a discussão no campo da filosofia ou da psicologia, ou das ciências políticas e sociais. Nosso campo de ação é espiritual (Efésios 6:12). É perda de tempo discutir temas espirituais com homens naturais, que não têm visão espiritual (I Coríntios 2:14-15). O homem natural sempre vai negar o óbvio!
Qual deve ser a postura do cristão diante dessas influências malignas? Resistir sim, impor nunca! Não vamos aceitar essa imposição cultural, assim como os cristãos primitivos o fizeram. Eles não se amoldaram ao sistema da época, por isso foram perseguidos, torturados e mortos! Mesmo assim, sem ter voz, sem lugar na política, sem prestígio na sociedade, cresciam e se multiplicavam. E, por quê? Porque a proposta do evangelho, por si só, é suficiente; ela era e sempre será infinitamente mais efetiva do que qualquer outra proposta que os filósofos e intelectuais deste mundo possam oferecer!
Assim sendo, um cristão não deveria exercer sua cidadania de forma irresponsável e inconsequente. Alguns são motivados a votar em um candidato por raiva do outro. Existe uma metáfora que diz: “A barata, com raiva da formiga, votou no inseticida. E todo mundo morreu, inclusive o grilo, que se absteve do voto”. O que deve, no entanto, determinar nossa decisão é a coerência com a nossa fé, e jamais as propostas que a destróem.
No livro de Juízes encontramos uma parábola (Juízes 9:8-15). Os cidadãos de Siquém escolheram Abimeleque, um homem sanguinário, narcisita e autoritário, para reinar sobre eles. A parábola nos mostra que, por um lado, os bons não querem liderar; Martin Luther King disse: “O que me assusta não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Por outro, o povo escolhe os maus. Espinheiros nada produzem, torturam com seus espinhos e levam o povo ao sofrimento. Mas quando os justos governam, o povo se alegra (Provérbios 29:2). O povo de Siquém escolheu um líder que os destruiu. Não sejamos hoje tão incoerentes e ignorantes como foi o povo naquela época.