Carta à Igreja de Esmirna

Esmirna ficava à sessenta e quatro quilômetros ao norte de Éfeso. Era uma cidade imponente, chamada de “glória da Ásia”, por ser muito desenvolvida e abrigar belos templos e um grande porto. Tinha um estreito alinhamento com Roma, por isso muito fiel à adoração ao imperador. Ao mesmo tempo possuía uma grande comunidade judaica, extremamente hostil, o que tornava muito difícil um cristão morar ali. 

Jesus Se apresenta com Seu atributo de eternidade - “Estas palavras são daquele que é o Primeiro e o Último, que morreu e tornou a viver” (v 8). Aqueles cristãos eram muito perseguidos, por isso corriam constante risco de vida. Era preciso fortalecer a consciência da vida eterna, para que não temessem a morte física. O salário do pecado é a morte espiritual (Romanos 6:23), mas Jesus já perdoou o pecado, por isso venceu a consequência dele, a morte. Temos a vida eterna porque somos filhos do Eterno.

 

A aflição da Igreja

A igreja vivia em aflição e pobreza (v 9). Existe o sofrimento que vem da maldição, como consequência do pecado, e o que vem da perseguição e hostilidade. Este último é digno, é aceitável e nobre. É um sofrimento que nos identifica com o Senhor, por isso não nos traz desespero, angústia ou depressão. Paulo diz: “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:12). Este é um sofrimento que faz sentido, pois prova que estamos no caminho certo. Pedro também diz: “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito a glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês… Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome” (I Pedro 3:14, 16). 

Eles também viviam em pobreza, porém o Senhor diz: “... mas você é rico!” (v 9). A pobreza externa não era a expressão da verdade. Possivelmente, haviam sido espoliados e seus bens confiscados pelo governo por causa da perseguição. Materialmente estavam pobres, mas espiritualmente eram ricos. Nós não somos aquilo que estamos. A maior riqueza é a espiritual, pois é eterna. Só se alegra nela quem a descobre - “O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo” (Mateus 13:44).

Os judeus que viviam em Esmirna não eram verdadeiros (v 9). Eram judeus apenas por ascendência, mas não espiritualmente - “Não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito…” (Romanos 2:28-29). Aqueles falsos judeus blasfemavam contra Cristo, chamando-O de ‘o pendurado’ e faziam forte oposição aos cristãos, tornando-se, assim, ‘sinagoga de Satanás’. Toda falsa espiritualidade opera contra o evangelho. Jesus censurou os judeus que queriam matá-lo: “... Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam, pois eu vim de Deus… Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo…” (João 8:42, 44). Ele estava confrontando o espírito da sinagoga (religiosidade), que valoriza mais os  rituais do que as pessoas!

 

Uma palavra de ânimo

“Não tenha medo do que você está prestes a sofrer…” (v 10). É uma declaração de estímulo reforçando a Sua constante presença e o cuidado que Ele tem por nós. “... O Diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los…” (v 10). As perspectivas não eram boas, no entanto, seria para o bem. Somos provados para sermos aprovados - “... A prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros…” (Tiago 1:3-4). Eles sofreriam perseguição durante dez dias (v 10), simboliza um período curto, por isso a ênfase na perseverança. Paulo escreve: “Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna…” (II Coríntios 4:17). 

A coroa da vida é para os que permanecem fiéis até a morte (v 10). Não basta começar bem e ser fiel por um período de tempo, é preciso terminar bem! Muitos, por causa das tribulações, desistem no meio do caminho. Na Parábola do Semeador, Jesus diz: “Quanto ao que foi semeado em terreno pedregoso, este é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria. Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona” (Mateus 13:20-21).  

“O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte” (v 11). Vencedor é quem é fiel até a (primeira) morte! A segunda morte é o lago de fogo (Apocalipse 20:14). É a morte eterna! Jesus disse: “... Quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará” (Mateus 16:25).

 


 

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