O apóstolo Paulo compara a comunidade cristã ao corpo humano: “Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo” (I Coríntios 12:12). E, por que isso acontece? Porque agora somos a extensão da comunidade divina (Pai, Filho e Espírito). Temos o mesmo DNA. O mesmo Espírito habita em nós: “Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito…” (I Coríntios 12:13).
Abraço é atitude. Não basta declararmos que somos corpo, precisamos intencionalmente viver como corpo, cultivar os vínculos, preservar o que Jesus já fez: “Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Efésios 4:3). E, por que devemos fazer todo o esforço? Porque nossa carne quer dividir, competir, se isolar. Esse vínculo se estabelece pela paz (ausência de guerra), quando, em vez de guerrear, abraçamos. Esforço, portanto, é sobre atitude, intencionalidade!
Quando somos batizados no corpo (I Coríntios 12:13), passamos a pertencer a ele. “Pertencimento” é a sensação de fazer parte de uma família, uma comunidade, é se sentir parte de algo maior. É nessa hora que o abraço se torna determinante. Os irmãos mais velhos recebem, acolhem com amor, os bebezinhos que estão chegando. Essa atitude é o que promove conexões, relacionamentos, vínculos de amor e aliança. A base da vida comunitária são os vínculos, a amizade, e não as reuniões, os programas e os eventos. O que mantém uma parede em pé é o entrelaçamento (relacionamentos) entre os tijolos e a argamassa (amor)
Abraço é humildade. A Bíblia diz que a igreja primitiva perseverava na comunhão (Atos 2:42). Eles entendiam que a comunhão era parte integrante da fé. Havia uma consciência coletiva de interdependência. Não se trata de substituir a dependência de Deus, mas de entender que um corpo não funciona se seus membros não estiverem interligados. Paulo escreve: “Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo. Se alguém se considera alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (Gálatas 6:2-3). Percebe-se que o abraço implica humildade. Quando alguém não abraça e não se deixa abraçar, está achando que é alguma coisa, e isso é um engano!
A Bíblia diz: “Quem se isola, busca interesses egoístas, e se rebela contra a sensatez” (Provérbios 18:1). É sobre o auto suficiente, que gosta de viver independente. Ele se rebela contra a inteligência. Andar desconectado é tolice. A autossuficiência é o pecado original, e ele se reflete em nossos relacionamentos. Logo que Adão e Eva quebraram a dependência de Deus, começaram os conflitos entre os dois, pois passaram a transferir a culpa em vez de assumirem a responsabilidade.
Abraçar é sobre interdependência. Muitos se afastam da comunhão e dizem abertamente que não precisam disso. Estão demonstrando arrogância; é como se dissessem “eu me basto, não preciso de ninguém!”.
Abraço é amar. Paulo diz: “Assim como nós, que somos muitos, formamos um só corpo em Cristo, também somos membros uns dos outros” (Romanos 12:5). Não somos membros de uma instituição, mas uns dos outros. Pertencemos uns aos outros! Nossa presença ou ausência não é na reunião, no culto, no evento, mas nas pessoas! Pertencer uns aos outros é sobre sentir, pensar e almejar as mesmas coisas.
A Bíblia diz: “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função” (Efésios 4:15-16). Cabeça só tem uma, Cristo. Não há hierarquia, nem títulos, todos são iguais e interdependentes. Mas o que conecta o corpo é a verdade em amor.
São as atitudes de amor e verdade que fazem com que cada parte realize a sua função, que é ajudar a carregar a carga uns dos outros. Não existe membro inativo, sem função, consumista. Abraçar é se importar com o bem estar espiritual dos irmãos que nos cercam. É acolher, de tal forma que o pertencimento seja estilo de vida e não mero discurso. O resultado é a saúde do corpo, o que o faz crescer por si só, sem necessidade de artifícios humanos.
Abraço é aceitação. “É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!” (Eclesiastes 4:9-10). Há um lamento sobre quem decide andar sozinho, não terá ajuda se cair! Muitos caíram porque ninguém os abraçou, outros porque se orgulharam e não aceitaram o abraço (Gálatas 6:1).
A Igreja é um lugar de abraçar e ser abraçado. Um ambiente de acolhimento e não de condenação. Paulo escreve: “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (I Coríntios 10:12). Onde há humildade todos reconhecem suas fraquezas, sabem que não conseguem andar sozinhos e que precisam abraçar e ser abraçados. O abraço conecta, une, e nos torna fortes contra as portas do inferno!