SÉRIE: JESUS É O SENHOR 2. O REINO DE DEUS

(Filipenses 2:5-11)
Publicado em 09/01/2026


A mensagem de arrependimento e a vinda do Reino pregadas por Jesus não foram  uma inspiração momentânea, mas o cumprimento de um propósito eterno estabelecido por Deus. A proclamação “... Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo”  (Mateus 3:2) resgata uma trajetória que atravessa todo o AT. 


Como tudo começou 


O Reino de Deus começa a se manifestar historicamente através de um chamado ao discipulado: Abraão. Deus ordena que ele deixe sua terra e parentela, colocando-o diante da “alternativa do Reino” (Gênesis 12:1-3). Assim como Cristo disse a Pedro e a André: “Sigam-me”, Deus disse a Abrão: “Sai da sua terra, do meio dos seus parentes…”. Abraão creu (Gênesis 15:6) e, por sua obediência fidelidade, não negando o seu próprio filho, Isaque, Deus jurou multiplicar sua descendência e abençoar todas as nações através de 
sua “semente”, que é o Cristo (Gênesis 22:16-18). 


Entretanto, ao longo da história, vemos o homem resistindo a esse governo. Depois de Moisés, que Deus levantou para libertar Israel da escravidão do Egito, surge Josué, o seu sucessor, que conduz o povo à conquista da terra prometida. Após a morte de Josué 
começa o período dos juízes, ou libertadores. Os juízes cumpriam a função de julgar e libertar o povo por meio da luta armada. É nessa época que Israel entra numa acentuada e progressiva decadência espiritual, moral e política. A Bíblia relata um estado de 
anarquia espiritual: “Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo” (Juízes 17:6) Exatamente aí está a raiz do pecado! A mesma frase descreve a condição atual do mundo. Cada qual anda segundo seu próprio capricho. 


Até então Israel nunca havia tido um rei, porque era um povo distinto dos demais. No entanto, tinha um Rei, só que não era um homem. Jeová era o Rei de Israel! Líderes como Moisés e Josué eram apenas Seus ministros. Abraão não fez o que quis, ele tinha 
um Rei sobre si. Moisés não conduziu a nação como um tirano ou ditador. Cada vez que abriu a sua boca foi para dizer: “Assim falou Jeová”. O sistema de governo no qual Deus Se constitui soberano, denomina-se “teocracia”, que é a junção de duas palavras gregas: 
theos (Deus) e cratos (domínio). Quer dizer “o domínio de Deus”. 

A rejeição ao verdadeiro Rei 


É nesse contexto de anarquia que surge Samuel, o último dos juízes. Através dele começa-se a ouvir a Deus novamente. Samuel não era apenas juiz, mas também profeta. Ele tenta restaurar a teocracia, o Reino de Deus. Mas o povo rejeitou esse governo ao 
pedir um rei “... à semelhança das outras nações” (I Samuel 8:5-7). Ao fazerem isso, declararam: “Não queremos que Este reine sobre nós”, preferindo um monarca humano que pudessem ver a serem governados por Deus.

Vemos então o contraste entre dois reinados: 1. Saul. Representava o desejo do povo. Embora reunisse todas as condições humanas exigidas para o cargo, com um belo físico e muitas virtudes, agiu com independência e desobediência (I Samuel 13:13-14; 15:22-23). Saul foi rejeitado porque buscou sua própria vontade em vez da vontade do Senhor. 2. Davi. Um homem conforme o coração de Deus (I Samuel 16:1, 12-13). Davi entendeu que não era o dono do trono, mas um súdito do verdadeiro Rei, Jeová, 
ensinando o povo a louvar a soberania divina (Salmos 24:7-10). 


Por causa do seu coração reto, Deus prometeu a Davi que de sua linhagem viria um Rei cujo trono seria eterno (Salmos 89:3-4). Esse Rei é Jesus Cristo, “... Filho de Davi, Filho de Abraão” (Mateus 1:1). Este que agora nasce é filho de Davi, mas também de 
Abraão, por meio de quem Deus prometeu abençoar toda a terra (Gênesis 12:3). 

A restauração do Reino de Deus 


Jesus veio para restaurar o Reino de Deus na Terra, proclamando arrependimento — uma mudança radical de atitude em relação à autoridade de Deus (Mateus 3:2). O que é arrependimento? É mudança de atitude. Que atitude? A mesma que tiveram seus 
antepassados, quando disseram: “Não queremos que este reine sobre nós”. Então, que reino é esse? É o Reino de Deus, a “teocracia”. 

Jesus anuncia o Reino de Deus, mas Israel, como nação O rejeitou, mantendo sua atitude rebelde (Marcos 15:12,13). Embora Israel, como nação, tenha rejeitado Jesus (João 1:11-13), Ele formou um novo povo, o Israel espiritual. Até então Israel tinha sido o “povo de Deus”, porém, logo que Israel O rejeitou, quando se cumpre o tempo, Deus forma uma nova Israel. Não o faz apenas com os que são filhos de Abraão segundo a carne, mas, com os filhos de Abraão segundo a fé, os filhos da promessa (Romanos 9:8). Este Reino é composto por aqueles que nasceram de novo e reconhecem Jesus como o Kyrios (Senhor) absoluto de suas vidas (João 3:3-5; Romanos 10:9; Atos 2:36). 


Hoje, como Igreja, somos o corpo desse Rei e temos a responsabilidade de permitir que o Seu Reino venha sobre nossa vontade, nossos lares e nossas relações (Mateus 6:10). Enquanto permanecemos aqui, vivemos para fazer a vontade de Deus na Terra, como se faz nos céus. Somos o povo que honra, coroa e obedece a Jesus Cristo como Senhor e Rei! 

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