Existe uma Comunidade na terra que reconhece um Reino, cujo Rei é Cristo. Ele é o Rei de todo o Universo, mas só os que O reconhecem é que têm a identidade do Reino. Essa Comunidade é a Igreja. Ela é apresentada na Bíblia sob a figura de um corpo, onde Cristo é a cabeça e nós somos os membros (Colossenses 1:18). Assim como o corpo humano só funciona em harmonia quando os membros obedecem à cabeça, a Igreja só é saudável quando há sujeição absoluta ao comando de Cristo.
O corpo humano é um pequeno reino, cujo rei é a cabeça, e cujos súditos são os membros. O corpo funciona como tal porque a cabeça (o rei) manda e os membros (os súditos) o obedecem. A Igreja primitiva não tinha um livro de doutrina, nem sequer um Novo Testamento, mas era verdadeira. Por quê? Porque estava sujeita à Cabeça. Dois fatores determinavam se alguém pertencia à Igreja: vida e sujeição.
A verdadeira Igreja manifesta o Reino de Deus através de quatro pilares práticos:
1. Jesus é o Senhor de nossa vontade: A entrada no Reino exige arrependimento, que é uma mudança radical de atitude. Quando Pedro, diante da multidão reunida no dia do Pentecoste, fez sua primeira pregação, as pessoas perguntaram: “O que faremos?” (Atos 2:36-38). Até então a atitude havia sido sempre “eu faço o que me der vontade”. Mas agora elas foram compungidas e tinham uma nova atitude, estavam prontas a fazer a vontade de Deus. Pedro lhes deu prontamente a resposta (v 38), e os que receberam essa palavra como uma ordem, reconhecendo a autoridade de Cristo, foram batizados (v 41). Três mil pessoas disseram: “Jesus Cristo é Senhor da minha vontade”.
Todo cristão renuncia a sua independência para que Cristo governe cada decisão. Ele sabe que a vontade de Cristo, por exemplo, é não mentir, não ser dissimulado, nem desonesto nos negócios (Romanos 13:7-8; Colossenses 3:9-10). Os cristãos primitivos tinham essa atitude; preferiam obedecer à vontade de Deus e morrer, se fosse necessário, a desobedecer e seguir vivendo (Atos 5:29).
2. Jesus é o Senhor de nosso tempo: O tempo é o desenrolar da nossa própria vida e ele pertence inteiramente ao Senhor. A Igreja Primitiva se dedicava diariamente à comunhão (Atos 2:44-47). Quando alguém reconhece a Cristo como seu Senhor, o ritmo, a programação da sua vida diária, muda. Se Ele é Senhor da minha vida, é também Senhor do meu tempo, porque meu tempo é a minha vida. No evangelho do Reino, as minhas prioridades são as de Deus e não minhas necessidades pessoais (Mateus 6.33).
O nosso tempo deve estar à disposição do Senhor para participar do culto congregacional, das reuniões de oração, dos encontros das células, para ajudar os necessitados, envolver-se em algum ministério, consolidar e discipular as pessoas, etc.
Muitos dizem: “não tenho tempo”. Todos têm tempo, a questão está nos valores. O que se coloca no recipiente chamado lixo? O que sobra; portanto, se lhe sobrará tempo, ponha-o lá, com o lixo, não o entregue a Deus! Não vamos fazer um culto a Deus com as sobras, vamos fazer um culto a Deus com as prioridades.
3. Jesus é o Senhor de nossos bens: (Atos 2:44-45; 4:32). A comunidade dos verdadeiros discípulos é aquela que vive este princípio: “Jesus Cristo é o Senhor dos meus bens e do meu dinheiro”. Ser discípulo de Cristo exige a renúncia de tudo o que possuímos (Lucas 14:33). Ele não nos chamou para sermos crentes ou evangélicos, mas discípulos. Nada do que temos é nosso; somos apenas administradores das propriedades de Deus, incluindo casas, carros e salários. Eu moro na casa dEle, eu ando no carro dEle, eu administro a empresa dEle…
O dízimo é o reconhecimento prático desse senhorio. É um princípio, estabelecido antes da lei de Moisés. O dízimo é do Senhor, e os 90% restantes são de quem? Do Senhor também! No entanto, os 10 por cento Ele administra e os 90 por cento Ele nos constituiu administradores. E, para que Deus nos ordena entregar os dízimos? Para o sustento de Seus obreiros e para a expansão de Sua obra (1 Coríntios 9:11-14).
4. Jesus é o Senhor de nosso lar: A Igreja continua sendo Igreja dentro das casas (Atos 2:46). Na Igreja Primitiva, aquilo que eram ao se reunirem, eram em todos os lugares. Que clima reina em sua casa? Nossa verdadeira natureza não é revelada no templo, mas no convívio familiar, onde as "máscaras" caem. O Reino de Deus se estabelece no lar através de quatro princípios:
● A sujeição das esposas aos maridos (Efésios 5:22). Se a mulher não se sujeita ao seu marido, os filhos se sentem livres para desobedecer aos pais; a autoridade já não existe e a rebelião reina;
● O amor sacrificial dos maridos pelas esposas (Efésios 5:25; I Pedro 3:7). Se o marido não tratar bem a sua esposa, não espere que os filhos o façam;
● A obediência e honra dos filhos aos pais (Efésios 6:1, 2). Honra significa reverenciar, respeitar, por isso a obediência deve ser com prazer, amor e respeito, ainda que sejam injustos;
● A instrução e o equilíbrio dos pais na criação dos filhos (Efésios 6:4). Não abuse de sua autoridade, não seja rígido e intransigente, isso produz ira e revolta. Sua função é ensinar seu filho a viver, dar-lhe a orientação que o ajude a desenvolver sua personalidade, para logo poder andar com as próprias pernas; e não anulá-lo e subjugá-lo até fazer dele um rebelde ou um ser inseguro.