(II Coríntios 3:13-18)
Publicado em 08/03/2026
Paulo está se referindo à ocasião em que Moisés, no AT, subiu ao monte Sinai para receber os dez mandamentos. Moisés cobria o rosto com um véu porque, após falar com Deus no monte, sua face resplandecia intensamente, assustando os israelitas (Êxodo 34: 29, 30, 35). O apóstolo Paulo usa essa ilustração para explicar o que acontece no mundo espiritual. Os israelitas estavam, e ainda estão, presos no AT. Por negarem a Cristo não acessam a presença de Deus. Eles ainda precisam que Moisés seja o intermediário. Aquele véu, segundo Paulo, é um bloqueio no coração deles, uma cegueira espiritual.
Acontece que em Cristo Jesus esse véu foi removido. Jesus Se tornou o nosso intermediário, e Ele abriu o caminho para o Pai. Não precisamos mais de “Moisés”, ouqualquer outro sacerdote. No entanto, muitos têm o seu entendimento bloqueado, assimcomo os judeus. Todos nós sabemos que a graça de Jesus abriu o acesso a Deus, mas por que nem todos experimentam verdadeira intimidade? Por que muitos não experimentam o significado da verdadeira adoração?
O véu do coração
Aquele véu de Moisés simboliza os bloqueios em nosso coração. Assim como o véu escondia a glória, também hoje somos inclinados a usar véus que impedem que a glória de Deus, por meio do Seu Espírito Santo, brilhe em nós e através de nós. É tão somente a graça que nos permite aproximar dEle e não os nossos méritos. E quando não entendemos isso, colocamos novamente um véu em nosso coração que nos afasta dEle!
Por que corremos de Deus quando pecamos, e não corremos para Deus? Por que Adão e Eva se esconderam quando pecaram? Por que escondemos os nossos pecados, em vez de confessá-los? É o véu da falta de entendimento. Por outro lado, porque muitos se escondem atrás dos rituais religiosos e do ativismo pensando que podem agradar a Deus com suas obras? É o mesmo véu!
Temos aprendido que adoração não é cantar. Adorar é amar, é reverenciar, é se curvar diante da autoridade do Rei, não externamente, mas internamente, demonstrando vida de obediência. Jesus, ao se encontrar com a mulher samaritana, fez menção aos verdadeiros adoradores (João 4:23). Se existem os verdadeiros é porque existem os falsos. A falsa adoração é aquela que se limita a rituais e liturgias; a verdadeira é a que se expressa em espírito e em verdade. Sim, verdade, sem máscaras!
Remova as máscaras
O véu em nosso coração são as máscaras que bloqueiam a nossa verdadeira identidade em Cristo Jesus. Segundo Dale Carnegie, autor de "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", a maior necessidade do ser humano é o desejo de ser importante, valorizado e reconhecido. Ele diz que, depois da saúde e da comida, vem a fome por apreciação. Por isso, a dor da rejeição se torna a maior dor da alma. Isso explica por que fazemos de tudo para ficar bem na foto. Somos sempre tentados a colocar o véu, uma máscara de espiritualidade para sermos aceitos no meio, e assim voltamos aos ritos e
práticas religiosas sem uma verdadeira experiência com Deus.
O véu impede que a glória brilhe, as máscaras impedem que sejamos o verdadeiro reflexo de Cristo. A falsa adoração usa máscaras para impressionar e receber aprovação. A verdadeira adoração nasce da sinceridade e da verdade. Só quem retira o véu do coração pode contemplar a glória de Deus. A palavra “glória” pode ser traduzida como “esplendor”, “brilho”, “majestade”, “excelência interna ou pessoal”. Não podemos absorver o caráter de Cristo, que é a Sua essência, se estamos tentando ser o que não somos na própria força: “Mas todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como em um espelho, a glória do Senhor, somos transformados…” (II Coríntios 3:18 - ARA).
Você é um espelho
A metáfora do espelho define bem a mensagem. Um espelho coberto por um véu não pode refletir imagem alguma. Portanto, só a autenticidade pode nos levar à verdadeira adoração, porque então, sim, vamos refletir a glória dEle e não a nossa, que é passageira (I Pedro 1:24-25). Deus só pode nos perdoar e transformar quando somos sinceros para admitir nossas falhas e pecados, confessá-los, expor tudo aquilo que está impedindo que essa glória brilhe. Um espelho sujo não reflete glória alguma.
A mulher samaritana foi impactada pela glória que estava em Jesus porque disse a verdade: “Não tenho marido…” (João 4:17). Jesus respondeu: “... O que você acabou de dizer é verdade” (João 4:18). Ela não tentou aparentar nada! Antes ela estava preocupada com o lugar da adoração, depois passou a adorar com essência, pois deixou o seu cântaro e foi contar para toda a cidade que tinha encontrado o Messias (João 4:41).
É pelo Senhor que a nossa imagem é transformada (v 18). O reconhecimento de que Ele é Senhor é o que realmente nos transforma. Essa consciência do senhorio dEle nos encoraja a tirar o véu, as máscaras e os disfarces. Agora que não somos mais donos de nós mesmos, não precisamos provar mais nada. Não temos mais medo da rejeição, porque já fomos comprados e aceitos definitivamente pelo Senhor de toda a Terra!