(1 Pedro 2:9)
Publicado em 10/04/2026
Os filhos de Deus formam um povo exclusivo, uma nação separada para um propósito. Somos uma geração de profetas! No AT os profetas eram poucos, porque o Espírito de Deus não Se manifestava a qualquer pessoa, apenas reis, profetas, sacerdotes e juízes. Mas, por ocasião do Pentecostes (Atos 2), a promessa do profeta Joel, de que o Espírito Santo se derramaria sobre todos, se cumpriu (Joel 2:28-29).
Todos os que nascem de novo recebem o mesmo Espírito, assim todos são profetas. Não existe mais uma classe de profetas, mas agora todos o são; e aqueles que têm o dom de profecia, são capacitados para ensinar toda a igreja na função profética.
A palavra “profetizarão”, em Atos 2:17, significa: “falar por inspirações divinas, prever; proferir, declarar, algo que só poderá ser conhecido por revelação divina”. É a isso que Pedro se refere ao dizer: “... Para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pedro 2:9). Nossa posição em Cristo é de profeta. Todos os cristãos recebem o Espírito para anunciar as grandezas de Deus e resgatar as pessoas das trevas para a luz.
Profetas reconhecem sua indignidade
Isaías foi chamado para ser profeta (Isaías 6:1-8). Ele viveu num tempo de instabilidade política porque o rei Uzias havia morrido. Uzias conduziu a nação de Judá a uma grande prosperidade, porém, orgulhou-se do seu sucesso, e, por conta disso, no final de seu reinado, ficou leproso. O povo, que via Uzias como um símbolo de força, sentiu-se desamparado com sua partida. É nesse cenário de “trono vazio” na terra que o profeta Isaías tem a visão do trono ocupado por Deus no céu, reafirmando que o verdadeiro Rei de Israel permanece no controle.
Diante daquela visão de Deus em Seu trono, Isaías imediatamente enxergou a sua condição pecaminosa e indigna (Isaías 6:5). O primeiro impacto que o evangelho provoca em nossa vida é a visão de nós mesmos. A glória de Deus nos faz enxergar quem nós somos, nossa incapacidade e limitação. Isaías reconheceu que não podia abrir a boca para falar nada, pois era impuro. A brasa tirada do altar é o Espírito Santo. O fogo queima as impurezas. É o que precisamos antes de falar!
Quando reconhecemos que não somos justos em nós mesmos, então nossa pregação será cheia de misericórdia e amor, e não condenatória. Em vez de acusar, vamos anunciar o perdão e a graça salvadora. Foi como consequência dessa purificação
que Isaías se dispôs prontamente: “... Eis-me aqui. Envia-me!” (Isaías 6:8). Agora sim ele estava pronto para falar. É essa mesma consciência de indignidade, mas ao mesmo tempo do perdão gracioso e purificador, que nos move!
Profetas absorvem a Palavra
Deus disse a Ezequiel: “Você lhes falará as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes” (Ezequiel 2:7). A missão de Ezequiel seria falar, nada mais. O profeta apenas anuncia, e não condiciona a sua fala a uma resposta positiva. Muitas vezes não falamos porque pensamos: “ele não vai me dar ouvidos”. No entanto, a palavra é como uma semente lançada à terra. Nem todas brotam. Tudo tem o seu tempo!
Na sequência, Deus fala a Ezequiel: “Mas você… Não seja rebelde como aquela nação; abra a boca e coma o que lhe vou dar” (Ezequiel 2:8). Ezequiel teve a visão do rolo de um livro, e Deus lhe disse: “... Coma este rolo; depois vá falar à nação de Israel” (v 3:1). Ezequiel deveria primeiro absorver as palavras do livro. São as Escrituras. Elas testificam de Cristo. Comer o livro é comer as palavras de Cristo, é absorvê-las, torná-las parte do nosso caráter, assim como a comida, ao ser ingerida e processada dentro de nós, passa a ser o nosso corpo. Deus lhe disse: “... Coma este rolo que estou lhe dando e encha o seu estômago com ele. Então eu o comi, e em minha boca era doce como mel” (Ezequiel 3:3). Depois que Ezequiel encheu seu estômago Deus lhe disse: “... Vá agora à nação de Israel e diga-lhe as minhas palavras” (v 4). A condição para falarmos é, antes de tudo, absorvermos a essência de Deus, por meio de Cristo. Ele é a Palavra que Se fez carne. Só depois que a Palavra se faz carne em nós é que estamos prontos para falar.
Profetas usam a boca para abençoar
Profetas sabem do poder que está em sua boca. A Bíblia diz: “A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto” (Provérbios 18:21). Podemos usar nossa língua para o bem ou para o mal, para a morte ou para a vida. Como profetas, a vida está em nossa boca. Precisamos tomar cuidado para não anular a vida com palavras de morte. Tiago diz: “Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim!” (Tiago 3:9-10).
Somos chamados para abençoar as pessoas e jamais amaldiçoar. Não importa a condição ou qualquer ato de maldade que alguém possa ter feito, nossa parte é sempre declarar salvação e nunca perdição. Nossa boca é profética. Ela já foi purificada com a brasa do altar, e nosso estômago está cheio das palavras do livro!