Jesus começou o Seu ministério falando de arrependimento: “Daí em diante Jesus começou a pregar: ‘Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo’” (Mateus 4:17). Esta é a palavra central do evangelho, porquanto Ele veio propor uma mudança de direção. A palavra grega para arrependimento é “metanoia”, que significa “mudar de ideia para melhor, corrigir de coração com abominação dos pecados passados” (Strong).
Existe uma diferença entre arrependimento e remorso, o arrependimento é uma mudança de mentalidade e atitude que leva à ação e ao crescimento, o remorso é uma dor emocional passiva focada na culpa e no passado. Remorso é sentimento de culpa, arrependimento é consciência da culpa!
A lei da semeadura
Fomos criados à imagem e semelhança de Deus, isto é, com responsabilidade pelas nossas ações, e capacidade de raciocinar e fazer escolhas. Ao se separar de Deus, a humanidade passou a sofrer as consequências das suas decisões e escolhas erradas. A Bíblia fala sobre a lei da semeadura (Gálatas 6:7). Se fizermos boas escolhas, vamos colher bons frutos, mas se fizermos más escolhas, vamos colher frutos ruins, lembrando que a colheita é sempre multiplicada!
O que nos leva à escolhas certas? A harmonia com o Criador e Pai. O que nos leva à escolhas erradas? A independência e autossuficiência, que contrariam a vontade do Pai. Ao dizer “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”, do que Jesus estava falando? É sobre um reino dar lugar a outro! O reino próprio, do orgulho e da autossuficiência, precisa ser destruído. O trono do meu coração precisa depor o falso rei (eu) para dar lugar ao verdadeiro Rei, Jesus.
Só pode chegar a essa conclusão quem consegue enxergar as consequências negativas das escolhas erradas. Muitos não conseguem ver, estão cegos, e não admitem que precisam dar meia volta para Deus. Sofrem as consequências, não assumem o erro, jogam a culpa nos outros e até mesmo em Deus. O Espírito Santo, no entanto, nos convence do pecado (João 16:8). Ele abre os nossos olhos para o desejo de mudança.
Dois tipos de tristeza
Então, duas coisas são necessárias para o arrependimento: consciência do erro e consciência da responsabilidade. Se não estou convencido, não mudo; se não assumo a responsabilidade, também não mudo. O apóstolo Paulo escreve: “A tristeza segundo
Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte” (II Coríntios 7:10)
O fruto de escolhas erradas pode promover dois tipos de tristeza: a de Deus e a do mundo. A tristeza do mundo é a tristeza pelo sofrimento, consequência da má escolha. Ela faz as pessoas lamberem suas feridas e gera sentimento de frustração, depressão, autocomiseração, depreciação... Não promove mudanças, mas afasta de Deus e produz morte. Por outro lado, a tristeza segundo Deus vem pela consciência da escolha errada. Esta produz arrependimento, mudança de atitude, e promove salvação, que significa vida, cura do espírito, alma e corpo. Deus gera uma tristeza saudável porque revela o erro e faz as pessoas reagirem tomando o caminho inverso.
A escolha certa
É sobre essa escolha que Jesus se referiu no Sermão do Monte: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mateus 7:13,14). Diante de nós há duas portas e dois caminhos. Jesus nos insta a fazer a escolha certa. A porta larga e o caminho amplo leva à perdição. A porta estreita e o caminho apertado leva à vida. Muitos entram pela porta larga e poucos encontram a porta estreita.
Tudo começa numa porta, depois vem o caminho. Jesus disse que Ele é a porta (João 10:7) e o caminho (João 14:6). São estreitos. Por quê? Porque implica humildade. Nós é que temos que nos adequar a Jesus. Ele é o parâmetro. Para passar pela porta das ovelhas é preciso ser ovelha, se abaixar, se diminuir. O caminho fala de uma jornada, de constância e perseverança. O caminho também é estreito, exige renúncias.
A porta larga e o caminho amplo é o que humanamente somos inclinados a escolher. Nossa natureza humana não quer o sacrifício, é orgulhosa. Buscamos a porta espaçosa porque não queremos abrir mão das nossas vontades, opiniões, preconceitos, egoísmo e carnalidade. Ela é espaçosa porque cabe tudo o que queremos fazer entrar por ela. Queremos levar toda a nossa bagagem, sem renunciar a nada. O caminho é amplo, cabe muita gente, e a onda da multidão nos empurra com facilidade.
A porta estreita e o caminho apertado é sobre total renúncia, rendição completa ao senhorio de Jesus. Trata-se de remar contra a maré, de ter a coragem para resistir à onda da multidão. O caminho estreito é para os que se posicionam e estão prontos a dizer “eu não sou todo mundo”. Estes não vivem mais para si mesmos, mas para Aquele que os amou e se entregou por eles (II Coríntios 5:15).