Na conclusão do Sermão do Monte Jesus enfatiza a importância da prática do Seu ensino (Mateus 7:24-29). O texto diz que as multidões ficaram maravilhadas com o Seu ensino, porque Ele ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei (vs 28-29). Os mestres da lei eram teóricos, Jesus era prático, e isso Lhe dava autoridade. Certa vez Ele os denunciou: “... Não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê‑los ― Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens…” (Mateus 23:3-5).
Jesus tinha autoridade porque obedecia ao Pai. Foi por isso que Ele falou sobre a importância de praticar a palavra ensinada. Deus não Se move pelo nosso clamor ou pelas nossas lágrimas, mas pela nossa fé. A fé produz obediência, porque quem crê que Ele tem razão no que diz, faz o que Ele diz. A maior prova de incredulidade é a desobediência, e a maior prova de fé é a obediência.
Dois tipos de pessoas
Jesus fala de dois tipos de pessoas: aquele que ouve o ensino e o pratica e aquele que ouve e não pratica. O que houve e pratica é quem não apenas escuta, mas dá ouvidos, considera, reflete, aceita, concorda e obedece. Este é semelhante a um homem que construiu sua casa sobre a rocha. A rocha é o fundamento inabalável (os princípios da palavra), a casa é a nossa vida. A chuva, a enchente e os ventos são as turbulências da vida, os conflitos e as circunstâncias desafiadoras que enfrentamos o tempo inteiro. Na prática, quem confia em Jesus, sabe que tudo contribue para o seu bem (Romanos 8:28).
O outro tipo de pessoa é aquela que ouve, mas não pratica. Ela apenas escuta, mas não considera, não dá a devida atenção, acha que Deus não está falando sério. É a pessoa que confia em si mesma. Jesus a compara a alguém que construiu sua casa sobre a areia, não tem fundamento, base. Quando ela enfrenta as tribulações da vida, não consegue permanecer de pé, desmorona facilmente, joga a toalha, desiste de tudo e todos. Trata-se de alguém frágil emocionalmente, não suporta a pressão.
O que Jesus está abordando ao final do sermão é sobre a importância de uma resposta à Sua pregação. Trata-se de um compromisso. A palavra “compromisso” é bem repugnante para alguns. Vivemos numa sociedade onde os relacionamentos são voláteis. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro “Modernidade Líquida” diz que os
relacionamentos humanos tornaram-se frágeis, instáveis e superficiais. As pessoas evitam assumir compromissos duradouros por medo de ficar presas, tratando conexões afetivas como produtos que são “consumidos” e descartados quando deixam de oferecer satisfação imediata.
É preciso uma aliança
Esse comportamento é refletido na relação com Deus. Muitas pessoas querem apenas a bênção de Deus e não o Deus da bênção. Acreditam nEle, mas não confiam, por isso não se entregam. A proposta do evangelho, no entanto, é uma aliança com Deus. É sobre uma entrega total, no mesmo nível da entrega dEle, quando derramou todo o Seu sangue. Sangue significa vida. Para que os efeitos dessa aliança entrem em operação, as duas partes devem se entregar mutuamente. Se uma das partes não se entrega, a aliança não é validada. Um casamento, por exemplo, só acontece quando duas pessoas se entregam totalmente, em espírito, alma e corpo. Se uma das partes não o faz, não existe casamento, mesmo que tenham assinado um papel!
Toda aliança tem um sinal, uma marca. No caso do casamento é o anel de aliança. É um sinal físico do que existe no espiritual. Da mesma forma, a nossa aliança com Deus tem um sinal no mundo físico, é o batismo. Ele declara a nossa morte e ressurreição. Paulo escreveu aos romanos: “Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também vivamos uma vida nova” (Romanos 6:4). O batismo não é um ritual religioso, mas a materialização do que ocorre no mundo espiritual. A palavra “batismo” vem do grego “baptismo”, que significa “submergir”, “mergulhar”. Quem morre com Cristo (no ato de submergir), dando o sinal através do batismo nas águas, ressuscita (no ato de emergir) com Ele para viver uma vida nova.
Existem, portanto, apenas dois requisitos para uma pessoa ser batizada: crer e se arrepender (Atos 2:38). Crer é confiar, e entregar-se; arrependimento é abandonar o pecado, mudar de atitude. Ao ser batizado, dois resultados virão: seus pecados serão perdoados e você receberá o dom (presente) do Espírito Santo.
Você pode construir uma casa muito bonita sem Deus, mas um dia a casa cai. As tempestades vêm pra todo mundo, a diferença está na base. Se você der ouvidos e optar por uma aliança, a construção vai exigir um esforço maior, porque terá um fundamento, mas a vantagem é que a casa vai prevalecer e você colherá os frutos eternos dessa aliança. Dê ouvidos, considere, não espere ter vontade, apenas faça, e Deus vai honrar Suas promessas.