Para o cristão, servir é uma honra. Não é um ato isolado, pontual, ocasional, mas um estilo de vida. Ele saiu de um reino marcado pelo egoísmo e entrou no Reino de altruísmo. Sua vida foi transacionada, houve uma virada de chave, uma mudança de mentalidade. Antes era auto centrado e focado em apenas receber, depois um servo!
A transformação da natureza: do egoísmo à doação
A natureza humana é egoísta por natureza. Mesmo quando doamos, o fazemos do que nos sobra. Quando a Bíblia fala sobre repartir é sobre partir uma coisa em duas, ou mais. Hoje não vivemos uma escassez extrema a ponto de ter que repartir o nosso prato de comida em duas partes iguais para dar ao outro, mas esse é o verdadeiro sentido da palavra repartir.
A Bíblia fala sobre aqueles, cujo propósito de vida gira em torno de si mesmos. Estes são inimigos da cruz de Cristo: “Pois, como já disse repetidas vezes e agora repito com lágrimas, há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o estômago, e eles se gloriam do que deveriam se envergonhar;
só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19). Portanto, não é este o estilo de vida dos que seguem a Cristo, que já tomaram a sua cruz e agora não vivem mais para si mesmos (II Coríntios 5:15).
Agora, os que renasceram em Cristo mudaram o foco, pelo motivo óbvio de que não vivem mais para si mesmos. É uma mudança de natureza, portanto, não se trata de uma atitude forçada, é natural em quem recebeu um novo DNA. O DNA de Cristo é esse. Os seguidores dEle têm dentro de si o Espírito, a essência da Sua natureza. Se temos o mesmo Espírito, fazemos o mesmo que Ele fez: nos entregamos em favor do próximo.
Antes, quando estávamos no reino oposto, tínhamos uma mentalidade que dizia: “O que eu posso ganhar com isso? Como posso obter algum lucro?”. Agora, invertemos nosso pensamento: “Como eu posso dar? Como eu posso servir melhor? Quanto eu devo doar?”. O autor de Provérbios diz: “A sanguessuga tem duas filhas, e as duas se chamam: Me dá! Me dá!” (Provérbios 30:15 - NTLH); “O parasita tem filhas gêmeas chamadas Me Dá e Quero Mais” (Provérbios 30:15 - A Mensagem). A nossa natureza mudou de sanguessuga para doadora!
O amor se expressa em serviço
Amar é servir. Não é um sentimento, mas uma ação. Se amar é servir, então quem é nascido de Deus, que tem o amor em essência, tem o serviço como prática cotidiana: “Filhinhos, não amemos de palavra nem da boca para fora, mas em ação e em verdade” (I João 3:18). Amar é um verbo, uma atitude, uma decisão! O amor prático é a prova de que somos filhos de Deus: “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (I João 4:7-8).
É por ser um servo que o cristão não espera recompensa. Um servo (mesma palavra para escravo) está bem resolvido quanto à sua posição, por isso não busca honra, prestígio, notoriedade ou vanglória. O servo pensa primeiro no próximo, depois em si mesmo. E de onde vem essa mentalidade? Da consciência de que ele já recebeu o maior presente (a salvação) de quem é Deus (Jesus) mas Se fez servo: “... Apesar de ser Deus,... esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens. Sendo encontrado em figura humana, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Filipenses 2:6-8). Quem recebeu de graça, dá de graça!
A essência do verdadeiro servo: humildade e anonimato
Certa vez, Jesus perguntou aos discípulos: “Pois quem é maior: o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está à mesa? Eu, porém, estou entre vocês como quem serve” (Lucas 22:27). Ele declarou a inversão dessa lógica humana no Reino de Deus. O maior é quem serve. Foi por isso que Jesus foi exaltado: “Por isso, Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome” (Filipenses 2:9). Só os que se humilham com Jesus é que podem ser exaltados com Ele!
O apóstolo Paulo escreve: “Portanto, todos devem nos considerar servos [huperetes] de Cristo e administradores dos mistérios de Deus” (I Coríntios 4:1). A palavra grega para “servos” é huperetes, e sua origem literal vem de duas palavras: hugo ("debaixo de") e eretēs ("remador"). Esta palavra designava os marinheiros e remadores de baixa categoria que operavam os remos nos níveis mais baixos dos navios de guerra antigos, no porão inferior das embarcações e galés. Eles se moviam no anonimato.
Portanto, o verdadeiro servo apenas serve, rema o barco para que os outros se
movam, sem querer aparecer. Ele faz questão de permanecer oculto, porque sabe que é
a Deus que está servindo: “Trabalhem de coração para o real Senhor de vocês, para
Deus, pois serão plenamente recompensados quando receberem sua herança.
Lembrem-se de que, no fim das contas, o Senhor que vocês estão servindo é Cristo”
(Colossenses 3:23-24 - A Mensagem).