A Mente de Cristo II

Todo verdadeiro cristão tem a mente de Cristo: “... Nós, porém, temos a mente de Cristo” (I Coríntios 2:16). Cristo resiste ao Diabo -  "… Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo" (I João 3:8), mas não condena o mundo - "Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele" (João 3:17). 

A palavra mundo (cosmo), na Bíblia tem três significados diferentes: o Universo - refere-se ao planeta terra e tudo o que é visível - "Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens" (João 1:9); a Humanidade - refere-se ao ser humano em geral, enfatiza as pessoas criadas e amadas por Deus - "Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16); e o Sistema pecaminoso, corrompido e perverso, do anticristo, governado por Satanás - "Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele" (I João 2:15). 

 

O cristão luta contra o sistema, e não com pessoas 

Ter a mente de Cristo é odiar o mundo (sistema pecaminoso) e amar o mundo (humanidade, pessoas). Isso explica o que está em Efésios 6:12 - "Pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais". Quando Jesus estava na cruz, Ele destruiu os poderes malignos -  "E, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz" (Colossenses 2:15); mas, ao mesmo tempo, orou pelas pessoas que O estavam crucificando: "… Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo" (Lucas 23:34). Minutos depois, diante da cena, o centurião e mais alguns que estavam com ele exclamaram: "... Verdadeiramente, este era o Filho de Deus" (Mateus 27:54).  

Um dos nossos maiores desafios deste tempo é equilibrar firmeza e docilidade, a essência do verdadeiro amor! O homem espiritual não ataca o homem natural, mas é atacado por este, porque o homem natural não entende as coisas do Espírito - “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura...” (I Coríntios 2:14). Somos tentados a usar as mesmas armas, e pagar o mal como mal. Mas Jesus disse: “… Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão” (Mateus 26:52). Ele também nos ensinou: “... Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam.. Que mérito vocês terão, se amarem aos que os amam? Até os pecadores amam aos que os amam…” (Lucas 6:27-28, 32). 

 

O cristão e a cidadania 

A Bíblia diz: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus… ” (Romanos 13:1). Mas o texto não diz para sermos passivos e omissos enquanto cidadãos. Nos tempos bíblicos o povo não tinha voz; a monarquia era a prática dos regimes de governo. Hoje, vivemos numa democracia, um regime onde o povo é chamado a participar da escolha de seus governantes e da criação de leis. Existem direitos constitucionais estabelecidos pelos representantes do povo. 

Temos uma responsabilidade e um dever social! “Cidadania” significa “o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais”. A Bíblia diz que somos cidadãos do céu: “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). Mas o texto não está dizendo que não somos também cidadãos deste mundo. O que Paulo estava dizendo é que não devemos colocar nossa expectativa de realização da vida no sistema deste mundo corrompido.  

O mesmo apóstolo escreve na mesma carta: “Não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo” (Filipenses 1:27). Portanto, o exercício da cidadania é responsabilidade do cristão, e ele deve fazê-lo de acordo com o evangelho, com a mente de Cristo. O que Jesus pensa sobre os direitos constitucionais que protegem os cidadãos, inclusive os cristãos? Mas também, considerando o ensino do Sermão do Monte, como Ele agiria hoje com aqueles que perseguem os cristãos?  

 

Resistir sim, impor nunca 

A questão gira em torno do sistema do anticristo, que é impossível não se ver em todas as esferas da sociedade (educação, economia, literatura, mídia, artes, política, etc.). Qual deve ser a postura do cristão diante dessas influências malignas? Obviamente, vamos resistir, assim como os cristãos primitivos o fizeram, por isso foram perseguidos, torturados e mortos.  

Por outro lado, não cabe aos cristãos impor suas ideias. O propósito não é que se instale um governo cristão institucionalizado, uma ditadura de pensamento evangélico! Se fosse assim, Jesus já o teria feito! Nem precisamos disso, pois o evangelho se propaga de forma espontânea, prazerosa e livre, pela ação simples e sobrenatural do Espírito Santo. Não somos militantes, à semelhança dos militantes partidários e ideológicos. Mas, ao mesmo tempo, não podemos ignorar nossa responsabilidade cidadã.


Assista o culto completo

https://www.youtube.com/watch?v=Yiqu_0wuD5c

Baixe a
apresentação