Carta à Igreja de Éfeso

As sete Igrejas do Apocalipse realmente existiram na Ásia Menor no tempo de João, autor do livro. Alguns estudiosos acreditam que refere-se a uma visão prévia da história da Igreja; outros acreditam que elas expressam as características de vários tipos de congregações cristãs até os nossos dias. No entanto, certamente, são símbolos da igreja inteira, de todas as épocas. Todas elas fazem referência ao “anjo da igreja”, que podem ser: 1) Mensageiros celestes; 2) Mensageiros terrenos; 3) Personificações do espírito reinante em cada Igreja. De qualquer forma, as cartas são dirigidas ao corpo, uma personalidade coletiva, que tem identidade e individualidade. 

Quem está falando é “... Aquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro” (v 1). O capítulo anterior deixa claro que refere-se ao próprio Senhor Jesus - “Alguém semelhante a um filho de homem, com uma veste que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito” (Ap 1:13). As sete estrelas são os anjos das sete igrejas e os sete candelabros são as sete igrejas (Ap 1:20). 

 

Uma igreja atuante (vs 2-3)

A Igreja de Éfeso era ativa, perseverante e não tolerava falsos ensinos. Havia esforço e integridade entre eles; suportavam com perseverança todas as provas quando perseguidos por causa do nome de Jesus. Aquela igreja vivia o seu verdadeiro propósito! Igreja não é um clube social com o objetivo de entreter os sócios, mas é, antes de tudo, um exército que conquista espaço e território. 

Eles odiavam as práticas dos nicolaítas (v 6) - seita herética inserida na igreja que pregava uma falsa liberdade; abusavam da graça, o que os levava à licenciosidade. Satanás quer sempre frear o avanço da Igreja, por isso envia lobos devoradores para causar confusão e divisão e tirá-la da rota. Assim como a Igreja de Éfeso, somos também provados na fidelidade à visão que nos foi dada. 

 

A denúncia

“Você abandonou o seu primeiro amor” (v 4). Refere-se ao amor a Deus e às pessoas. Eles trabalhavam muito, mas o amor já não era o mesmo. Amor implica em alegria, entusiasmo, fervor, paixão... É fácil, com o tempo, nos tornarmos automáticos naquilo que fazemos só para manter as engrenagens da máquina intitucional rodando.

O primeiro amor é sempre mais fervoroso. As novidades alteram nossas emoções e nos impulsionam a fazer coisas com entusiasmo. Mas, o que nos faz perder a alegria? O desgaste, as expectativas frustradas, ou simplesmente a rotina? Para onde foi a alegria pelo privilégio de ser sacerdote? - “... Que canseira...” (Malaquias 1:13). Tentamos achar as respostas, mas não admitimos que o problema possa estar dentro e nós! Culpamos as pessoas, a estrutura, os métodos, os líderes, enfim, tudo ao nosso redor, e temos a dificuldade de olhar para dentro de nós mesmos para ver o que está errado.

 

A advertência

“Lembre-se de onde caiu!” (v 5). A introspecção é uma disciplina que poucos praticam. Autocrítica e autoavaliação são posturas de todo cristão humilde. A Igreja de Éfeso não tinha parado de agir, mas havia esfriado. Frieza é pecado! Não podemos nos conformar! Muitas coisas podem estar escondidas em nossa alma por situações vividas com pessoas, e circunstâncias negativas. Lembrar é um exercício espiritual! 

“Arrependa-se” (v 5). Arrependimento é requisito indispensável para libertação e cura; implica em quebrantamento, reconhecimento do pecado e mudança de atitude. Ninguém se arrepende se não estiver convencido do pecado. Então, consciência de que frieza espiritual é pecado é o fator determinante.  

“Pratique as obras que praticava no princípio” (v 5). O primeiro amor está relacionado às primeiras obras, porquanto amar é fazer. Não se tratava de ausência de obras, mas de ausência das primeiras obras! O que conta não é o quanto fazemos, mas como fazemos. Ser ativo não é se esforçar para manter uma organização funcionando, mas é viver em amor para manter o organismo funcionando. 

“Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele” (v 5). A luz não mais brilhará, a unção será retirada e a oportunidade vai passar. A Igreja perderá a sua relevância na sociedade! 

“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (v 7). Se todos têm ouvidos, a questão está em usá-los. O sentido aqui é dar ouvidos, dar importância, e não apenas escutar. O problema nunca está no transmissor (Deus), mas no receptor (eu)! Comer da árvore da vida é para os vencedores (v 7) - os que se arrependem. Vida eterna é para quem persevera e termina bem sua carreira. A árvore da vida está no paraíso de Deus, o habitat original do homem. Voltar para onde tudo começou implica em voltar às primeiras obras, ao contato e ao relacionamento com a Fonte da vida. 

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