Deus de Aliança

A Bíblia fala de duas alianças que Deus fez com os homens: a Antiga e a Nova. A antiga foi estabelecida pela Lei de Moisés, a nova pelo sacrifício de Jesus. Na Antiga a salvação vinha pela obediência à Lei; na nova, a salvação vem pela fé em Cristo e na Sua obra substitutiva (Ele nos substituiu, assumindo a morte que deveria ser nossa, em consequência dos nossos pecados - "… O salário do pecado é a morte" - Romanos 6:23). Na Nova Aliança somos perdoados e livres do pecado pela graça, o que nos impulsiona a uma obediência voluntária e prazerosa. 

Na Antiga Aliança as pessoas esperavam a salvação e a aprovação de Deus pela prática de boas obras e bom comportamento. Mas o evangelho da Nova Aliança opera ao contrário: não somos salvos pelas boas obras, mas para as boas obras - "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras…" - Efésios 2:8-10. Por isso, é possível que alguém, mesmo praticando muitas boas obras, não seja salvo; mas é impossível alguém ser salvo sem andar na prática das boas obras! 

Na Antiga Aliança as leis foram escritas em tábuas de pedra, na Nova elas são escritas no coração - "Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne" (Ezequiel 36:26-27); "... Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo" (Jeremias 31:33). Trata-se de uma profecia sobre a Nova Aliança. Quando a perfeição de Cristo está em nós pelo Seu Espírito, a lei perde a sua força; as proibições e o controle se tornam desnecessários.

Na Antiga Aliança as pessoas obedeciam por medo do castigo, na Nova Aliança elas o fazem pela consciência. Então, agora podem fazer o que quiserem? Sim! No entanto, não farão, porque não querem, porque sabem que o pecado é um mal a si mesmos e aos outros -   "… Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?" (Rm 6:1).

 

A Páscoa (Êxodo 12:1-3, 6-8, 11, 13, 17) 

No Antigo Testamento encontramos sombras da Nova Aliança. A celebração da Páscoa no AT tem um paralelo com a ceia do NT. Jesus celebrou a Páscoa com Seus discípulos na véspera da Sua crucificação. A morte de Cristo, o Cordeiro de Deus, finalizou a vigência da Antiga Aliança e deu lugar à Nova. A primeira Páscoa aconteceu no Egito, quando Israel estava para ser liberto da escravidão. Depois das nove pragas que assolaram a terra, Deus advertiu ao povo de Israel sobre a necessidade de se protegerem da última praga. Eles deveriam tomar um cordeiro ou cabrito, um para cada família, e sacrificá-lo. O sangue seria passado nas laterais das vigas das portas como um sinal para que a morte não alcançasse aquela casa. Páscoa significa “passagem”, ou seja, o anjo da morte passaria pela casa e ela seria poupada.

O cabrito ou cordeiro deveriam ser sem defeito - uma referência a Jesus, o Cordeiro de Deus, sem defeito - "… Vocês foram redimidos… pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito" (I Pedro 1:18-19). Assim como o cordeiro substituiria o primogênito daquela família, também Cristo nos substituiu morrendo a nossa morte, pois todos pecaram (Rm 3:23), e o salário do pecado é a morte (Rm 6:23). O sangue não permitiu que o destruidor entrasse na casa para matá-los. Assim também, o sangue do Cordeiro de Deus, Jesus, tem o poder de reter a morte espiritual, pois nos purifica do pecado, que é a causa da morte! Se não tem causa, não tem consequência!

 

Páscoa é aliança

Jesus é também o Pão - "Eu sou o pão da vida..." (João 6:35). A família deveria comer o cordeiro e o pão sem fermento. Comer o cordeiro é se aliançar com Jesus para segui-Lo -  "… Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos" (Jo 6:53). Comer do pão sem fermento é receber o Seu caráter íntegro -  "… Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado. Por isso, celebremos a festa, não com o fermento... da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento, os pães da sinceridade e da verdade" (I Co 5:7-8).

A morte não tem domínio sobre os que andam em aliança! Mas, não basta ter o sangue como sinal nos umbrais das portas, é preciso comer do Cordeiro e do Pão (Jesus). O sangue perdoa, mas o Pão, que é Jesus e Sua palavra, nos mantém longe do pecado. A Igreja é a família de Deus, o reduto dos que andam em aliança, com Deus e com os irmãos. É o ambiente onde não entra fermento (hipocrisia, maldade, deslealdade, falsidade..). Por isso, para os filhos de Deus, aliançados em Cristo, Páscoa é todo dia. Paulo fala sobre o perigo de celebrarmos a ceia do Senhor e não discernirmos esse mistério - "... Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram" (I Co 11:29-30). Porém, numa família que come pão sem fermento (sinceridade e verdade) não há fraqueza, nem doença, nem morte; é um ambiente saudável, onde os filhos crescem e se multiplicam!

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