Proclame

Texto: Atos 2:1-13

 

No Dia do Pentecostes a profecia de Joel finalmente se cumpriu. Entretanto, não se cumpriu exatamente com os mesmos sinais lá mencionados. Em Joel está escrito que haveria profecia, sonhos, visões, maravilhas no céu e na terra (o que não aconteceu no Pentecostes), mas não menciona o som de vento impetuoso e as línguas como de fogo (o que aconteceu no Pentecostes).  Isto nos ensina que não existe um padrão estabelecido para que o Espírito Se manifeste, pois Ele é dinâmico. As experiências nem sempre são iguais entre as pessoas e as épocas. Portanto, o fim da manifestação do Espírito não é a experiência, mas o cumprimento de um propósito! 

No AT o Pentecostes era chamado de Festa das Semanas (porque acontecia sete semanas depois da Páscoa) ou Festa da Colheita dos Primeiros Frutos (porque celebrava o início da colheita do ano). A razão do revestimento do Espírito, portanto, fica evidente, pois tem a ver com o sentido da festa - o início da colheita. Que colheita seria essa? Jesus Se referiu a ela várias vezes - “Vocês não dizem: ‘Daqui a quatro meses haverá colheita’? Eu lhes digo: Abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita” (João 4:35); “Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: ‘A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita’” (Mateus 9:36-38). O Pentecoste nos capacita para:

 

1. Pregar a todos

O que aconteceu no Pentecostes deixa claro esse propósito - “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava” (Atos 2:4). Que línguas eram essas? Línguas conhecidas, de diversas nações existentes na época. Tanto judeus como convertidos ao judaísmo de todas as nações estavam em Jerusalém para celebrarem a festa e todos começaram a ouvir a mensagem sobre as maravilhas de Deus em sua própria língua (v 11). O Espírito Santo falou uma só língua para todos. A intenção de Deus é que todas as nações entendam o evangelho de forma clara, e para isso Ele derramou o Espírito!

 O revestimento do Espírito Santo tem como propósito fazer conhecido o evangelho ao maior número de pessoas e de forma bem clara. As línguas e toda aquela manifestação sobrenatural (som como de um vento forte, línguas de fogo que pousaram sobre a cabeça de cada um...) eram apenas o meio para cumprir o propósito. Nossa tendência é fazermos do meio o fim. Ficamos vidrados nos feitos sobrenaturais, nos milagres e sinais. Mas os sinais sempre apontam para algo maior, que é Jesus e o Seu evangelho! Nossa admiração não deveria estar no acontecimento extraordinário do Pentecoste, mas no fim dele - todos ouviram falar do evangelho e o entenderam.

 

2. Que todos entendam

O revestimento do Espírito, ou, como alguns chamam, batismo com o Espírito Santo é uma capacitação sobrenatural para um só propósito: proclamar a mensagem e fazê-la entendida às pessoas que não conhecem a Deus. Pedro ficou tão cheio do Espírito Santo que, ao pregar a palavra naquela ocasião persuadiu e convenceu os ouvintes de tal maneira que nem precisou fazer o convite para “aceitarem a Jesus”; eles mesmos, de tão aflitos, perguntaram: “Irmãos, que faremos?” (v 37). E cerca de três mil pessoas aceitaram a mensagem e foram batizados! Dali para frente aquela multidão começou a espalhar a mensagem e uma revolução foi deflagrada. Depois que Pedro e João foram soltos da prisão e voltaram para os seus irmãos, os cristãos reunidos começaram a orar fervorosamente e novamente algo aconteceu: "Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus" (Atos 4:31). O mais importante não foi que o lugar tremeu, mas o resultado de terem sido cheios do Espírito! A consciência de propósito e a intencionalidade dos discípulos varreu Jerusalém com a mensagem do evangelho - “Assim, a palavra de Deus se espalhava. Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém; também um grande número de sacerdotes obedecia à fé” (Atos 6:7).  

A unção do Espírito Santo revela o evangelho, quebra a intimidação e nos capacita a pregar. Só quem o entende é que pode pregar de maneira que as pessoas entendam. Quantos são sinceros, mas não entenderam! Foram batizados, mas a palavra não penetrou ao coração. “A palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito…” (Hebreus 4:12). Ela é viva e penetra quando pregada no poder do Espírito, e não no nível psicológico - “... A letra mata, mas o Espírito vivifica” (II Coríntios 3:6).

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